Resenha: Korn faz São Paulo respirar new metal

_MG_9030O ano era 1994 e o mundo da música ainda chorava a morte de Kurt Cobain quando, dentro do rock, começava a surgir um movimento que iria se esvair como o grunge, ao menos no sentido de denominação.

“Korn” era lançado e trazia uma sonoridade diferente. O peso de guitarras afinadas em outros tons, um baixo pendendo pro lado da percussão e letras sobre dilemas interiores e não sobre ocultismo e coisas assim.

O Korn surgia e se tornaria o maior nome do new metal nos anos seguintes. Hoje, mais de 20 anos depois desses acontecimentos a banda voltou à São Paulo para reviver seus clássicos e apresentar músicas do seu disco mais recente, “The Serenity Of Suffering”.

Sim, diferente de alguns nomes do “movimento”, o Korn continua lançando discos. Se eles são bons ou ruins, isso vai do seu gostinho peculiar, então isso não se discute. Mas é melhor arriscar e lançar um disco não tão bom, ou até flertar com outros estilos, do que ficar paradão aí vivendo exclusivamente de passado.

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O show

Pouco depois das 21h30 – bem pouco mesmo -, o Korn subiu ao palco do Espaço das Américas em São Paulo abrindo sua primeira apresentação em solo brasileiro neste ano. O grupo começou com Right Now, que já causou alvoroço no público presente.

Jonathan Davis (vulgo Homão da Porra) e sua trupe mostraram a velha forma de sempre em um show redondo, ainda que com algumas músicas faltantes – papo pras linhas abaixo. Here To Stay abriu caminho para a nova Rotting In Vain. O público sempre mostra menos empolgação com as músicas novas, né?! Mas até que me impressionou, bastante gente estava com ela na ponta da língua.

Word Up! e Coming Undone – esta acompanhada de We Will Rock You do Queen, algo já tradicional nos shows -, são completamente dispensáveis pra mim. Mas como disse o Henrique: “O povo gosta, né?!”. É.

Shoots And Latters e sua tradicional abertura com JD tocando a gaita de fole é sempre uma atração à parte. Rolou um trecho de One do Metallica como sempre, o que fez mais sentido ainda, já que Rob Trujillo, baixista da banda, estava presente para acompanhar seu filho, Tye, que tocou com o Korn substituindo Fieldy.

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A tradicionalíssima Blind não faltou. O “ARE YOU READY?” também não. Os moshpits menos. E já tomado pelo êxtase em meu terceiro show do Korn, lá fui eu para a roda que não poderia faltar depois de quatro anos de espera desde o último show deles. Aquele bem morninho no Monsters of Rock.

O biz, comigo já na pista VIP quase grugado na grade, contou com as clássicas Falling Away From Me e Freak On A Leash para se despedir de São Paulo e tomar os rumos de Curitiba e Porto Alegre. Amigos do sul, vocês não perdem por esperar, seus lindos!

Tye Trujillo: calando bocas e chutando bundas

A escalação de Tye Trujillo substituindo Fieldy nos shows do Korn pela América Latina é mais um exemplo do que a gente tem mania e adora fazer: criticar sem saber. E outra coisa que a gente também adora é falar “É, não foi bem assim”. Foi sim senhor(ita)!

Quando Tye foi escalado para a empreitada causou comoção. Porra, um moleque de 12 anos tocando com o Korn e substituindo o Fieldy, um dos pilares da banda? Que absurdo! Pensou isso? Vendeu seu ingresso? Se fodeu.

Minha primeira reação foi “WTF?”, mas como a gente é acostumando a procurar tudo e mais um pouco antes de emitir opiniões “embasadas” sobre o assunto lá fui eu caçar vídeos do molecote tocando na sua bandinha, o The Helmets, e outros.

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Mano, o menino se garante MUITO, sério! Se com 12 anos ele toca assim, imagina com 32? Fora que ele tem o mesmo jeitão de tocar do pai, um dos meus baixistas preferidos. Rob Trujillo e quem deu um voto de confiança para o Tye estão orgulhosos.

Ele se garante, tem presença de palco e um futuro brilhante pela frente. Boa Trujillinho!

Faltaram músicas

Setlists são sempre motivos de discórdia. Falta essa, sobra aquela e por aí vai. No do Korn em São Paulo a hors concours foi A.D.I.D.A.S. Todo mundo com quem conversei citou ela pra falar do que “faltou”.

Ainda que pra mim também faltasse Got The Life e trocaria as citadas desnecessárias por outras. É aquela coisa, não vai ser perfeito e agradar todo mundo, mas no geral o setlist foi conciso e bom de ver e ouvir.

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Espaço das Américas

Já disse aqui que o Espaço das Américas é o melhor lugar para shows em São Paulo, né?! Sim, já falei. O acesso é fácil, fica DO LADO DO METRÔ Barra Funda e do terminal de ônibus, além das avenidas principais da Zona Oeste.

Sério, parem de fazer shows no Morumbi, aquela porra num tem vazão nem em dia de jogo com 10 mil pessoas, não tem nada perto, as linhas de ônibus desviam de rota (com razão). Enfim… Prefiro MIL VEZES 3, 4 shows de uma banda no Espaço das Américas do que um no Morumbi. Essa caralha é ruim demais, pelamor.

Conclusão

O Korn é e sempre vai ser o maior ícone do new metal da história e não tem papo. Linkin Park virou Linkin Pop – fora os dois primeiros discos que são lindaravilhosos -, Limp Bizkit se arrasta, Rage Against The Machine fica de putaria e não se reúne, e o System of a Down (pra mim não é NM, mas muita gente coloca eles nesse hall) nem precisa dizer, não lança nada há 12 anos. Piada.

Lançando bons discos, outros nem tanto, se arriscando na mistura entre rock e música eletrônica, e por aí vai, o Korn se mostra daquelas bandas que apesar dos percalços continua ativa, relevante e tendo o que mostrar e falar. Só por isso merece o status que tem e o respeito da galera de outros gêneros e de bandas que são monstros do metal mundial.

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O Korn é daquelas bandas que consegue reunir em um show fãs de outros estilos, revezando entre os bonés de aba reta, passando pelas camisas xadrez até os imensos cabelos dos headbangers mais pesados.  Isso entre camisas do Ramones, Metallica, Slipknot, Pantera e tantas outras.

Quem somos nós pra questionar, né?!

Fotos: Gabriel Quintão/Divulgação

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