Resenha: Lobão no Teatro Coliseu em Santos

A dicotomia política das redes sociais transformaram Lobão -para a maioria- em algo como um time de futebol. Ou você torce a favor, ou é adversário.

Neste clima futebolistico, assim como acontece com o Corinthians, quanto mais ‘antis’, mais quem é torcedor se apaixona. E uma turma apaixonada compareceu ao clássico Teatro Coliseu, em Santos/SP, para mais apresentação acústica do velho lobo.

No palco, acompanhado de violões e violas, Lobão que sempre se auto-proclamou ‘apenas’ baterista, faz o papel de frontman e ótimo violeiro, e despejou com muita desenvoltura, bom humor e contundência, canções novas e eternos hits.

Começando com as faixas mais recentes, Lobão mostrou algumas canções que estão em seu novo álbum que será lançado em dezembro, “O Rigor E A Misericórdia”, como “A Marcha Dos Infames” e “Os Vulneráveis”, e relembrou hits recentes, como a bela “Das Tripas Coração”.

Os clássicos 80’s também deram as caras, sempre acompanhados de alguma boa história de bastidores. “Noite e Dia”, “Chorando No Campo”, “Me Chama” e lembranças de Cazuza em “Vida Louca Vida” e “Mal Nenhum” não faltaram e foram as que mais levantaram o público.

Este talvez seja um ponto negativo. O público, em sua maioria, vai em busca dos velhos sucessos, deixando a produção recente – e de ótima qualidade – do compositor em segundo plano.

Para um hitmaker como Lobão, tocar todos seus acertos comerciais é algo impossível, ainda mais em um show onde ele tem a liberdade de falar e contar histórias entre as músicas. Muita coisa ficou de fora, mais notadamente “Vida Bandida”, “A Queda”, “O Rock Errou” e pra citar das recentes, “Não Vou Deixar”, single que não faria feio nas mãos de um Josh Homme da vida.

Ai você se pergunta: mas teve discurso político? Alguém pediu a volta dos militares? Teve campanha a favor do fascismo? Não, claro que não. O que tivemos foi um artista em cena se posicionando politicamente contra o governo quando se fez necessário, algo que a maioria chapa-branca não faz pra não se comprometer, mas acima de tudo, mostrando uma produção musical ainda relevante e prolífica. É um show, não é comício. Um baita show, diga-se.

 

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Foto: Divulgação

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