LollapaNoize 2017: dois dias de shows, andanças e música para todos os lados

WhatsApp Image 2017-03-28 at 00.01.07E aí que o editor deste incrível site bateu com a cabeça em alguma quina, e chamou eu mesma, Debbie Hell, para cobrir os dois dias da edição de 2017 do Lollapalooza. Logo eu que cobri meu último grande festival em 2013 e pus meus pezinhos em uma edição do Lolla pela última vez foi para assistir QOTSA, Black Keys, TV On The Radio, ainda no Jóquei Club.

Apesar daquele ligeiro medo de não ter mais idade pra isso, lá fui eu para minha missão de me infiltrar no meio dos jovens e ver de perto como andam os festivais além do conforto do camarote do meu sofá.

Minha sorte é que já estava inteirada do lineup por ter feito uma edição do Debbie Records – meu programa de rádio – dedicada ao Lollapalooza desse ano, então a pesquisa já estava feita.

Mas claro que de resto fiz tudo errado. Chegue cedo! Acordei tarde. Vá de trem! Fui de táxi e me fodi. Pesquise seu portão! Dei 3 voltas semi-Olímpicas com o pessoal me jogando pra lá e pra cá até achar o fucking portão M. Confira os objetos proibidos! E lá se vai minha base-protetor-importada em spray. Mas ok, até aí tudo dentro do esperado considerando o meu talento pra tomar decisões erradas.

Como toda pessoa que não mais produz colágeno naturalmente no corpo, já desci aquela rampa da entrada com a multidão pensando aflita na subida da volta, mas ok, vamo lá! Festival, u-hu.

Primeira surpresa incrível: caixas eletrônicos. Sério, fodam-se banheiros químicos limpos, sabe quantas vidas caixas eletrônicos 24h podem salvar? Genial.

Segui explorando o autódromo no meio daquele público super desconstruído e plural (ao contrário de outros tempos e festivais que todo mundo era -ou parecia- ser publicitário hipster), com uma caralhada de gente indo pra lá e prá cá em todos sentidos possíveis, mas com fluxo rolando.

Quando me dei conta, estava na beira de um ~vale~ entupido de gente assistindo no palco principal o começo do show do Rancid, aí eu lembrei “Ah é, show né?” E fui pra beirada curtir a banda.

A galera chia que só o inferno por causa do autódromo, mas eu amei o lance das inclinações, grama, e elevações do solo em que o pessoal podia estender sua canga na maior, sendo possível assistir o show de boas, sem se enfiar naquele mar de gente (sério, era MUITA GENTE. Em números oficiais, cem mil pessoas no primeiro dia). O sistema de som colaborava, e era possível ouvir o show do palco Skol perfeitamente de dentro da sala de imprensa, que era um prédio na casa do diabo, depois de 6 lances de escadas que quase me mataram nesses dois dias.

Mas voltando. Show. Se você acompanhou os sommeliers de festival no Facebook, já deve saber que o Rancid fez a melhor apresentação de sábado. E é verdade. De onde eu estava que dava pra curtir de pé, numa boa, numa nice, numa tranquila, ouvir perfeitamente, ~feel the vibe~, fazendo eu me lembrar o QUANTO eu gosto de Rancid, e me perguntar quando e por qual motivo eu deixei de ouvir a banda. Estava certa que o auge seria Time Bomb, até tocarem Maxwell Murder, música-desafio da época em que eu tocava baixo, e eu tinha 1) simplesmente esquecido que ela existia 2) ao me lembrar, ficar chocada que era do Rancid.

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Envelhecer é o caos, amgs.

Tá, 10% de bateria, bora pra sala de imprensa, tomar uma água, me achar com minhas coisas. Estava no dilema entre assistir The XX (que eu tenho o VINIL de tanto que essa foi a banda da minha vida em 2010) e a Tove Lo (novo amor da minha vida desde o ano passado). Assistir um pedaço de cada era geograficamente impossível, já que pra chegar a tempo no palco do palco do XX a tempo, eu precisaria pegar uma ponte aérea. O jeito foi pedir desculpas para a Débora de 2010 e ir ver minha nova queridinha.

Sobre a Tove Lo, que foi ridiculamente definida de uma forma rasa, preconceituosa e preguiçosa como “uma espécie de Gretchen Sueca” (sério, mermão?) por um jornalistão que aparentemente está com dificuldades de entender como a relação das pessoas com a música mudou nos últimos tempos, a cantora aparece num gap da música pop que Amy Winehouse deixou (CALMA) e a Lorde, por mais autêntica e visceral que seja, ainda é muito nova, instrospectiva e crua para assumir tal vaga; Tove Lo e suas músicas são aquela sua amiga que você ama, mas dá trabalho, some, aparece, enche a cara na terça feira, volta na quinta, chega no trabalho virada com a roupa da buat, dá pro namorado da amiga e se reclamar cata a amiga também, bebe com gosto quando o médico fala que é proibido, não sabe o que é comer uma fruta há uns 5 anos, não tira a maquiagem antes de dormir, deixa de pagar a conta de luz porque viu uma jaqueta MARAVILHOSA em promoção, diz que não vai sair, depois fala que vai passar pra só dar um pulinho e não vai beber, em seguida já está dançando no balcão, e quando vê já vomitou em alguém. É aquela amiga que sempre tá com o cabelo todo escangalhado, nunca sabe se tá vestindo uma roupa limpa ou suja, já confundiu pasta de dente com glitter. Ela é o que é, sabe que é assim, é ciente de sua natureza toda errada e não perde tempo se julgando ou tentando se encaixar dentro de algum padrão que alguém disse que é certo ou errado. Vocês que se virem aí comigo, azar de quem cruza meu caminho, ninguém mandou. E quando a bicha sofre aí que ela taca o seus mais sinceros foda-se mesmo. Todo mundo já passou por um momento ou uma fase Tove Lo. Ou teve vontade de mandar tudo pra casa do caralho nesse nível. E em suas músicas e vídeos há essa catarse, essa mensagem de “tudo bem, amiga, mete a loca daí que eu meto daqui, foda-se, tamo junta”.

Tinha dúvida se era um ~personagem~ até em recente entrevista ao ser questionada por quê ela mostrar os seios no palco durante as apresentações, ela responder algo como “não gosto de deixar de fazer nada só por ser mulher”. Ok, é real oficial, pode levar minha alma.

O pop, ~a juventude~, o mainstream estava precisando de alguém gritando FOOOOOOOOODA-SEEEEE nas paradas de sucesso.

Show que fiquei na muvuca, com todo mundo com glitter na cara, roupas holográficas, cantando todas as músicas loucamente, mas na expectativa do grande hit Habits (HIGH ALLLLLLL THE TIIIIIMEEEEEE). Eis que começou um princípio de cenas lamentáveis. Alguns héteros já queriam se picar pro show do Metallica por causa da abertura que é daquele filme de faroeste que eu não lembro o nome e nem fodendo que vou parar pra pesquisar, enquanto suas respectivas parceiras não iam arredar pé dali enquanto a mulher não cantasse a música do “oh-oh”.

Eu já tinha presenciado 3 stresses e estava ao lado de uma DR só por causa desse dilema esperando o grande hit (HIGH ALLLLLLL THE TIMEEEEEEEEEEEE). Eis que quando ouve-se o tal do “oh-oh” da música, é de uma base pré-gravada, e eu broxei quenem um balão.

Sério. Não foi playback playback playback. Mas aff, sabe. Ver gente tretando pra ouvir essa porra de música pra ser com base pré-gravada é foda.

Enfim, saí dali, fui para o que seria meu terceiro show do Metallica (tão virando o novo Iron Maiden sim), e já deviam estar na segunda música. Com o palco explodindo de gente se expremendo pra ver o show. Som perfeito. James engraçadinho querendo ser simpático perguntando quantas pessoas estavam vendo o show da banda pela primeira vez enquanto dava boas-vindas para a “família Metallica”. Enquanto eu, particularmente, acreditava que a pergunta mais pertinente era: quantas pessoas estavam no Lolla pela primeira vez só pra ver o Metallica, mas isso era só uma reflexão aleatória.

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A banda fez o show com os truques de sempre, inclusive o manjado teatrinho do começo de ONE, mas a gente é o povo que vibra com reprise de novela (vc gosta, eu sei), que já assistiu “10 coisas que eu amo em você” mais de 30 vezes, e se tiver passando na tv assiste de novo, então não adianta. Show do Metallica é sempre incrível. Estava assistindo a uma certa distância e com o som impecável, sentia os solos de “Seek and Destroy” batendo na veia com a mesma emoção dos outros dois shows que já tinha feito questão de ir.

E quando eu menos imaginava, o show acabou, e eu – tomada pela viagem toda- esqueci da regra sagrada de sair duas músicas antes do final para sobreviver `a volta de qualquer festival, e me vi no meio de cem mil pessoas tentando voltar pra casa ao mesmo tempo. Com 5% de bateria. Poderia ser o remake de Warriors, mas era só eu sendo um saco de vacilo. No final das contas fui pegando busão em cima de busão até chegar em casa quase 2h da manhã. E no dia seguinte teria mais.

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Ok, dia seguinte. A meta era acordar cedo para pegar o show dos queridos do Bratislava. Pena que eu sou eu e já vestida e pronta, amarrei um tênis, me alonguei na cama e de repente acordei `as 3h da tarde com o outro pé ainda desamarrado. Sério, não é por mal. Se eu pudesse escolher, juro que não seria assim. Inclusive minha vida seria muito mais fácil se fosse minimamente responsável. E lá vamos nós pra correria desnecessária. E se foder de novo com táxi. Encontrar a mesma segurança que confiscou minha base-protetor-spray e perguntar se ela vai poder ficar com o produto e ainda dar dicas de como usá-lo da melhor forma. Chegar correndo no show do Silversun Pickups e demorar uns bons 5 minutos pra me dar conta que aquele não era o palco do Duran Duran.

Eis que me confronto com a realidade: o show do Duran Duran (um dos que eu estava mais ansiosa pra assistir) ficava no temido palco Ônix, também conhecido como a casa do caralho. E, enquanto eu andava por aquele mundaréu de gente, lembrava de que quando criança pensava “gente, mas como pode esses piloto de F1 correndo a 300km/h e essas corridas não acabarem nunca? não faz sentido”. Ontem fez.

Fui lá desbravando o fest e dando uma olhada nas ativações das marcas patrocinadoras que estavam super sofisticadas: pintura facial, corporal, acho que até tatuage na agulha mesmo, brinquedo de parque de diversão, parede liberada pra fazer uns pixo, tapa no visual, um desodorante gigante de uns 4 metro de altura que de vez em quando soltava umas borrifada do nada que faria qualquer pessoa mais neurótica que assistiu Jogos Vorazes ter um colapso (oi), preparação do seu próprio drink, batalha de lipsync, make up artists com glow paint, oásis com redes pra descansar, Lolla Store, Lolla Market, enfim. Humanamente impossível em dois dias visitar todas essas ativações, mas completamente adequado para manter cem mil ~millenials~ e pós millenials que não sossegam a porra do facho entretidos.

Mas voltando. Tava lá dando a volta ao mundo, já chegando em Diadema, quando começo a ouvir de longe o som do tal palco. Depois de quase escalar a subida vejo um fucking vale cheio de gente sentada, curtindo no final da tarde, num Vanilla Sky, um show animadíssimo com a galera mais `a frente delirando com uma surra de hit do impecável Duran Duran. Me deu até um bem estar físico aquele tipo de cena, e fui lá pro meio sentar na grama e curtir o show no final da tarde, de uma banda histórica, em perfeita forma, fazendo um show inacreditável, em que eu -por osmose ou não- conhecia todas as músicas do set (mas sempre fui doente por Girls on Film, tenho uma foto de perfil com um trecho da música de legenda pra confirmar).

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E, sério, que vibe. No público tinha ~de um tudo~ e, sinceramente, é um alívio não ver mais as pessoas insuportavelmente uniformizadas dentro de uma só maldita tendência. Das coisas mais legais, foi ver pais e mães levando filhos menores para curtir o show. Muita gente reclamou do lance da banda tocar cedo demais, mas este horário permitiu certas propostas que os ~horários nobres salve-se quem puder~ jamais permitiriam, como a paz de cristo de assistir um show leve, divertido, de boas, na grama, crianças mais novas dançando e criando um vínculo afetivo com a música e seus pais em um festival, casais ou pessoas não tão mais jovens, sem um pingo de disposição pra perrengue de festival que só foram pra ver esse show e adeus. Enfim, o que muita gente tá esperneando no tribunal das redes sociais como DEFINITIVAMENTE um caso de desrespeito, eu vejo como uma nova proposta de entretenimento, adequada `a idade do público e novos formatos de experiência com a música.

O final com <3 Girls on Film <3 seguido de Rio foi tão certeiro, que uns garotos de no máximo 17 anos, completamente eufóricos, bradavam atrás de mim que “esse show foi uma A-U-L-A para os héteros”. Gente. Calm the fuck down. Vocês que precisam de uma aula com os New York Dolls, uma pós com Johnny Thunders, ídolo máximo de John Taylor…baixista do Duran Duran.

Mas ok, sem se estressar com os outros.

Voltando pra civilização, no palco principal começava Two Door Cinema Club, que eu tenho pra mim que é coisa de roquinho bunda mole de publicitário (DESCULPA, mas atire a primeira credencial do SxSW quem não curta essas musiquinhas). Enfim, rock inofensivo dançante. Nada contra rock dançante. Tudo contra música inofensiva. Mas o povo bem que curtiu, e ficou lá. Dançando. O rock de publicitário dançante inofensivo que eu tenho a impressão que deve tocar no Beco e na Funhouse até hoje.

Aí que eu tinha que escolher de novo entre o hypado The Weeknd e o fenômeno Melanie Martinez. E como eu acho que todo hype é errado, fui prestigiar o show da garota que perdeu o The Voice? American Idol? gringo, mas em compensação virou a rainha do pop das menininhas de 13 a 17 anos. O que não seria problema algum, se a cantora não tivesse SÉRIOS daddy issues, e uma viagem meio tensa com músicas, visual, figurino, poses, completamente infantilizados, coroados com malcriações do nipe esfaquear o ursinho de pelúcia, inaugurando aí a tendência “Psycho but Cute” (da mesma forma que nos anos 90 tínhamos as “Kinder Whores”).

Estava assistindo os clipes da garota desde o começo da carreira pra tentar entender se era personagem ou nóia real/oficial e, conforme o tempo passava, a quantidade de tatuagens dentro dessa proposta que a cantora espalhava pelo corpo crescia de uma forma exponencial, então parece que a treta é séria.

Acho demais uma proposta diferente, desafiadora, fora do lugar comum, mas do jeito que vi as menininhas gritando, pulando, endeusando cada movimento da artista durante o show, nem fodendo que eu largava as faca da minha cozinha vacilando com adolescente em casa (FICA AÍ O ALERTA).

Ainda durante o show da psycho de babador de cor pastel, eu ainda estava injuriada pensando como iria administrar Strokes com Flume, e pq diachos essa necessidade de colocar no mesmo fucking horário as atrações (sabe, se organizar direitinho todo mundo…). Foi então que duas garotas saíram do show da Melanie de mãos dadas, pulando e cantando a música que estava rolando (ou seja, eram fãs), em direção ao show dos Strokes que estava pra começar.

Assim.

Sem dor.

Sem drama.

Já te vi no palco, beleza, segue o baile.

Foi aí que a porra da conta fechou na minha cabeça e eu quase caí sentada. A gente vive falando sobre novas formas de consumir música, a relação das novas gerações com a música, mas não fazemos o óbvio, que é observá-los sem aquela nossa lente reprovatória de “no nooooooosso teeeeeempo”.

A real é que estamos vivendo uma época em que as pessoas não assistem nem 30 segundos de um vídeo. Nem é mais a geração de 6 mil músicas dentro do ipod. É o MUNDO `a dispoção em serviços de streaming. De graça. Com a curadoria pronta, já na mão. Com um robô que já separou a sua playlist baseada no seu suposto gosto. Semanalmente.

São tempos em que a gente quase tem um colapso esperando os 4 segundos para pular o anúncio do Youtube e poder assistir os 30 segundos do vídeo, até dispersar para outra coisa.

É a era das playlists, a geração shuffle de tudo: músicas, amigos, fotos, pessoas (oi, tinder). E o mais óbvio de tudo. Se as pessoas EM GERAL (não estou falando de você, leitor que chegou bravamente até aqui) não ouvem um raio de um disco inteiro de uma banda, por que caralhos assistiriam um show completo?

E foi aí que tudo fez sentido. Esse monte de show que a gente NUNCA vai dar conta é pra ser visto dessa forma. Opção de entretenimento. Quem quer ser o fã empoleirado na grade que seja, quem quiser ficar debouas na canga que fique, mas a nova geração que – me desculpem, é o público alvo – precisa ser entretida. E essas desgraça já nasce com um ipad na mão, então precisa NECESSARIAMENTE estar rolando alguma coisa em todo canto ao mesmo tempo. Senão o festival seria ~chato~.

Posso estar numa viagem louca aqui, mas acho que antes de ficar chilicando sobre público, festival, e o diabo, quenem umas víuva em cima do caixão da vida pré-internet, a gente precisa entender que a porra do mundo mudou e nunca nada vai ser como era antes. Estamos no meio de uma revolução digital, em que a forma de consumir música muda mais rápido que podemos imaginar. Criticar sem o mínimo de reflexão só faz vocês parecerem o vovô Simpson brigando com as nuvens.

Tá, fim da epifania, voltando ao show.

Fui ver meus queridos Strokes que nem tinha começado e lotava cada vez mais e mais, e de novo, arranjei um cantinho no canteiro do gramado pra me empoleirar. Pena que a grama tava molhada e o risco de acidente era maior que o manual das boas práticas que o SUS recomenda. Aí as rainha resolve atrasar pq CLARO, NAO TEM NINGUÉM MORTO DE CANSAÇO AQUI. E como não bastasse começa a garoar. Já molhando a roupa e garantindo aquele princípio de pneumonia. Quando eu já estava jurando pra mim mesma que iria chamá-los de Guns ‘n’ Roses do rock alternativo por deixar o público esperando na chuva, a banda que um dia foi a salvação do rock e depois entrou numa viagem errada constrangedora e irreversível subiu ao palco.

Toda engraçadinha e bem humorada, tocando hit em cima de hit com o set todo baseado nas músicas de seus primeiros e impecáveis discos. Minha única dúvida era quem estava cuidando da mesa de som. Bem no começo da apresentação, tava rolando umas ramelada tão louca, que a impressão que eu tive é que jogaram um gato na mesa e deixaram ele pulando nos canais.

Mas voltando aos Strokes. Eu que ~vivi~ essa época, o surgimento da banda, comprei os discos, fui em todos os shows, toquei e dancei em todas as pistas, tenho relação emocional com diversas músicas (de novo, antes deles desandarem), vi os garotos largarem aquelas porra de bermuda de surf e começarem a andar de calça skinny, camiseta do velvet underground rasgada, all star, terninho e cabelo ensebado, sempre, sempre, sempre vou amar um show dos Strokes por questões de nostalgia. E assim, numa puta boa, que banda hoje se inspira tão fortemente (copia tão na cara dura) Television e Velvet Underground? Eu amaria esse som em qualquer época.

Mas também amo minha saúde mental e saí fora depois que tocaram NY City Cops. Sei que perdi Last Nite, Hard to Explain e Alone Together, mas já assisti duas outras vezes. Só iria me odiar se eles resolvessem tocar What Ever Happened, mas isso never happens, então fui embora em paz, evitando o caos, stress e loucura, fechando a noite com um irresponsável e aventureiro salgado no Terminal Sto Amaro. YOLO.

Fotos: Instagram da Debbie Hell

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