Resenha: Mr. Big em São Paulo

MR-BIG-752x440O Mr. Big retornou a São Paulo no último sábado, 20, após mais de dois anos, para apresentar a turnê do seu mais novo álbum “Defying Gravity”, lançado em julho deste ano, encontrando a casa de espetáculos Tom Brasil repleta de fãs do hard rock característico da banda. Os músicos ainda contaram com a abertura de Geoff Tate, que apresentou na íntegra o aclamado álbum “Operation: Mindcrime”, de sua antiga banda, o Queensrÿche.

Tate, dono de uma poderosa e característica voz, cativou a plateia com músicas como Revolution Calling, Operation: Mindcrime (que dá nome ao álbum), Suite Sister Mary, I don’t Believe in Love e Eyes of a stranger. A banda, embora composta pelos músicos brasileiros convidados Felipe Andreolli (Angra – baixo), Léo Mancini (Tempestt, Noturnall – guitarra), Dalton Santos (guitarra), Eduardo Cominato (SOTO – bateria) e Bruno Sa (teclado e guitarra), fez uma ótima apresentação, com entrosamento e precisão surpreendentes, levando em consideração que as músicas do Queensrÿche são bastante complexas e ricas em detalhes.

Para finalizar o show de abertura, Tate apresentou o clássico Silent Lucidity, do álbum “Empire” e ouviu a plateia cantar em uníssono. Certamente um grande momento para todos ali presentes, pois até mesmo as pessoas não familiarizadas com os outros trabalhos do Queensrÿche conhecem essa música, que ficou no topo das paradas de rádio e da MTV no início dos anos 90.

Já o Mr. Big veio com sua formação clássica, composta por Eric Martin (vocal), Paul Gilbert (guitarra), Billy Sheehan (baixo) e Pat Torpey (bateria), além do músico Matt Starr (também na bateria). Starr tem participado das turnês da banda desde que Torpey foi diagnosticado com a doença de Parkinson em 2014, mas o grupo, de maneira extremamente leal, optou por mantê-lo na formação, ficando responsável pela percussão, backing vocals, e até mesmo assumindo a bateria em músicas mais simples. Um ato digno de admiração .

O show principal da noite teve inicio com uma sequência fulminante e que logo empolgou os fãs, com Daddy, Brother, Lover, Litte Boy (Electric Drill Song), caracterizada pelo trecho do solo de guitarra tocado com o auxílo de uma furadeira, seguida de American Beauty e Undertow, ambas do álbum “What If” de 2010, Alive and Kickin’ e Temperamental, antes de acalmarem e tocarem a balada Just Take My Heart.

Em seguida, emendaram dois dos maiores sucessos do Mr. Big, Take Cover e Green-Tinted Sixties Mind, antes de apresentarem Everybody Needs a Little Trouble, que, por sinal, somada a 1992 (já no bis), foram as únicas músicas do novo álbum no repertório.

O show ainda contou com clássicos como Addicted to That Rush, Colorado Bulldoge os hits To Be With You e Wild World (cover do Cat Stevens), que também ocuparam o topo das paradas de rádio e da MTV no início dos anos 90, além do impressionante solo de guitarra do sempre virtuoso Paul Gilbert, que já havia feito show de sua carreira solo na capital paulista no início do ano (cuja resenha do Rock Noize você pode conferir aqui) e do solo de baixo do mestre Billy Sheehan, que, além do seu trabalho no Mr. Big, é conhecido pela participação na banda de David Lee Roth e no seu outro projeto atual, o Winery Dogs.

O vocalista Eric Martin fez questão de demonstrar o quanto a passagem por São Paulo é importante para os caras em suas turnês, pois o público paulistano sempre a recebeu de casa cheia, sendo bastante aplaudido pela declaração. E por falar em aplausos, embora todos os membros tenham sido reverenciados, o “campeão” foi, sem sombra de dúvidas, Paty Torpey que luta contra sua condição ao longo de cada dia e toda vez que entra no palco.

Para finalizar, tocaram cover de Baba O’Riley do The Who e se despediram, deixando os cerca de 4 mil pagantes (segundo o próprio Eric) extremamente satisfeitos e aguardando um possível retorno da banda nos próximos anos.

Texto: Gabriel Yamin

Foto: Divulgação/Internet

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