Resenha: Pet Shop Boys em São Paulo

pet shop boysNa semana onde um juiz libera uma liminar que regula a terapia de reorientação sexual – a popularmente chamada de “cura gay” – um dos maiores símbolos da diversidade no mundo pop se apresentou em São Paulo.

Pet Shop Boys faz música e se posiciona ativamente sobre a causa LGBT desde o ínicio dos anos 1980. Ícone gay e pop, o grupo encheu o Espaço Das Américas em uma terça-feira a noite para um show dividido em dois tempos. O primeiro morno, e o segundo bem mais aquecido.

Ao entrar em cena, Chris Lowe e Neil Tennant chamam a atenção com seus indefectíveis capacetes e seguram a atenção do público com o belo (e simples) visual do palco, mas musicalmente demoram a engrenar. O primeiro grande hit do conjunto a pintar no set-list acontece apenas na oitava música do show, a festeira “Se A Vida É (That’s The Way Life Is)”, recheada de percussões e refrão catchy.

Grande bobagem essa demora em entregar o que o público quer, a dupla – que ao vivo recebe outros músicos de apoio – tem um cancioneiro recheado de hits, tantos que se dá ao luxo inclusive de esnobar alguns deles, deixando de fora a clássica “Being Boring”, por exemplo.

Nesta segunda metade do show, os sucessos dão as caras aos montes: “Love Comes Quickly”, “West End Girls”, “It’s A Sin”, a versão de “Go West”, “Domino Dancing” e “Always On My Mind”, só pra citar os maiores.

O público se entrega e vai junto com a banda, cantando, dançando e promovendo um show ‘pra cima’, animado, um total antagonismo ao que a timeline do facebook nos entregou durante todo o dia.

Apesar de apresentar músicas novas, o show do PSB tem um sabor especial de flashback, mas ainda assim não soa velho. Percebe-se sim o quanto eles foram influentes para alguns dos novos artistas da música pop e eletrônica, sejam nos timbres e batidas, ou mesmo nos capacetes ‘futuristas’ dos músicos – certo, Daft Punk?

Emblemático que em tempos tão sombrios, um público tão plural, de diversas idades, gostos, perfis, e sexualidade diversa, estejam todos juntos, cantando e se divertindo como se fossemos um só. Tão diferentes, mas tão iguais. Afinal, não é isso? A música une. E doente é só a ignorância.

 

Texto: Wlad Cruz

Foto: Divulgação/Internet

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