Resenha: Pitty na Audio Club em São Paulo

Na noite deste sábado – já era domingo -, 9, Pitty voltou aos palcos em São Paulo, na Audio Club, para apresentar seu novo show.

Nas quase duas horas em que se apresentou, a cantora entoou todos os seus hits mais antigos e o que o público parece não ter esquecido. Aliás, público este que envelheceu e arrastou os mais jovens para curtir a maior referência feminina atual do rock brasileiro.

O show foi aberto com um discurso de Pitty no telão, este que foi muito bem explorado durante o show, com inúmeras imagens de nuvens, raios, pessoas, desenhos.

O discurso era embasado no número 7, que dá nome ao novo trabalho da cantora e já com a banda no palco a apresentação teve início com Sete Vidas, faixa-título do disco.

As pessoas ainda estão conhecendo o novo álbum da Pitty, por isso a cantoria durante a execução das novas músicas era um pouco mais tímida, um pouco.

Logo após o ponto de partida, Pitty e banda começaram a entoar os hits do passado levando o público a ovacioná-los.

Anacrônico, Admirável Chip Novo e Semana Que Vem foram cantadas na sequência e para muitos, ali começava o show.

“Sete Vidas”, o disco, parece todo ele feito para um relacionamento e as músicas, apesar de densas e com mensagens mais profundas, funcionam ao vivo. Parece um desabafo coletivo.

Pitty Audio - Rock Noize17

Pitty soube explorar bem a mistura entre o novo e o antigo. Revesava de maneira adequada as músicas e quem não sabia muito sobre as faixas atuais tinha um tempo de descanso entre um hit e outro.

Um dos momentos mais marcantes do show na Audio foi a execução de Me Adora. Dependendo da onde você estava era praticamente impossível ouvir a voz da cantora. Isso sem falar no público que cantou a capela em dado momento.

Sem falar em Equalize e a dolorida Na Sua Estante, também das preferidas de todo mundo, Máscara será o encerramento perfeito não fosse pela execução de Serpente, também do CD novo.

Pitty Audio - Rock Noize19

Anos longes dos palcos para sua performance principal não enferrujaram a Pitty, sua banda muito menos, hoje composta por Duda na bateria e Martin na guitarra, e no baixo o novato (no grupo) Guilherme. Os três estão com uma pegada diferente, maior, mais cara de “banda de rock de garagem”.

O amadurecimento de Pitty desde “Chiaroscuro” para cá fez bem, ao menos no palco. O despejo de dores, perdas e situações conflitantes das músicas do seu novo álbum parecem ter caído como uma luva para seus fãs.

O legal do público é ter envelhecido e não perdido o interesse pela cantora, ainda que ela tenha ficado muito tempo sem gravar com sua banda principal.

Como já citado, este mesmo público parece ter arrastado novos fãs, o que faz com que Pitty ainda tenha muito pra dar em termos musicais. Ambos amadurecem, fãs e artistas, e todos gostam mas não se prendem ao passado, coisa que vemos muito por aí.

O show foi bem bacana, Pitty continua sabendo o que faz para dominar seu público quando está no palco e indiretamente mandou um recado ao rock nacional, que não apresenta muita coisa de interessante há anos: “Voltei”.

Vale o ingresso!

Setlist: Sete Vidas, Anacrônico, Admirável Chip Novo, Semana Que Vem, A Massa, Deixa Ela Entrar, Teto De Vidro, Memórias, Boca Aberta, Olho Calmo, Pouco, Me Adora, Pulsos, Pequena Morte, Equalize, Na Sua Estante, Um Leão, Máscara e Serpente.

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Fotos: Tiago Oliveira (Rock Noize)

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