Resenha: Radiohead no Soundhearts Festival

Foram nove anos até que o público brasileiro pudesse dar de cara com Thom Yorke e sua trupe novamente. E é claro que nesse tempo muita coisa mudou, inclusive – e muito – o Radiohead.

Neste domingo, 22, a banda se apresentou para 30 mil pessoas (segundo os organizadores) no Allianz Parque, a nova “casa dos shows” de São Paulo no Soundhearts Festival que ainda teve Aldo, The Band; Junun e Flying Lotus à tira colo.

Tão cultuada hoje quanto outrora o Radiohead desfilou despreocupações em pouco mais de duas horas de show e 26 músicas repassando sua carreira que começou no fim da década de 80, atravessou o alternativo, passando pelo pop e hits radiofônicos, até chegar ao estágio atual.

Daydreaming, música de “A Moon Shaped Pool”, disco mais recente dos caras, foi a responsável por abrir os trabalhos da noite. O show perambulou por trabalhos antigos até os recentes, com destaque para Weird Fishes/Arpeggi.

Além de toda aquela aura de mito das décadas passadas que ainda vive para contar boas histórias de Thom Yorke, um destaque também foi Jonny Greenwood. O guitarrista, também tecladista, sampler e o que mais der na telha se revezou entre riffs e instrumentos para ajudar a criar a atmosfera sonora e visual durante todo o show.

Se o Radiohead foi o destaque positivo, o mesmo não podemos dizer da estrutura montada para o Soundhearts Festival. O palco muito baixo – não padrão em festivais e shows em estádios por motivos óbvios -, fez com que o público da pista comum quase não enxergasse os músicos.

O que no caso do show do Radiohead foi um problemão já que os telões (laterais e ao fundo) pouco mostravam seus integrantes abertamente, era quase sempre com algum tipo de efeito na imagem. Isso sem falar que os telões laterais mostravam pedaços do que o principal mostrava, além de ter problemas em três músicas do set.

Excluindo esse “pequeno detalhe” o Soundhearts foi bem, trouxe uma banda que levou três dezenas de milhares de pessoas ao Allianz e nos deu um segundo gosto do Radiohead por aqui que encerrou a noite com a clássica Fake Plastic Trees – ainda que para os mais ávidos tenha faltado Creep – para delírio geral de quem pode esperar mais alguns bons anos para vê-los novamente.

Daydreaming
Ful Stop
15 Step
Myxomatosis You and Whose Army?
All I Need
Pyramid Song
Everything in Its Right Place
Let Down
Bloom
The Numbers
My Iron Lung
The Gloaming
No Surprises
Weird Fishes/Arpeggi
2 + 2 = 5
Idioteque
Bis:
Exit Music (for a Film)
Nude
Identikit
There There
Lotus Flower
Bodysnatchers
Bis 2:
Present Tense
Paranoid Android
Fake Plastic Trees

Texto: Marcos Camurati

Edição: Marcelo Coleto

Foto: Divulgação/Internet

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