Resenha: “Revolution Radio” – Green Day

2016GreenDayRevolutionRadioAlbumCoverPressLembro-me que minha relação com Green Day começou em 1997 ou 1998 – não me façam lembrar, são quase 20 anos – quando meu primo comprou o “Nimrod”. Eu conhecia antes disso, o “Dookie” de 1994, apresentado por outro parente.

Não me animei muito com os dois, mas hoje, muitos e muitos anos depois, mais aberto à outros estilos de rock e por aí vai, são justamente os dois que eu gosto, apenas e simples assim. “Insomniac” tem lá o seu valor e tudo que vem do “Warning” pra frente fez com que eu não me importasse mais.

Falar que o Green Day era um antes de “American Idiot” e outro depois é chover no molhado e justificativa de adolescente mimado que não sabe justificar outra coisa.

O problema (modo de dizer) é que nesse disco e em “21st Breakdown” o Green Day se situou de uma outra forma. Deixou o punk – ainda que mais comercial – dos anos 90 e se tornou uma banda de rock, fim.

Já li que eles são/foram “punk pop”, “power pop” e outras groselhas de nomenclaturas diversas que todo mundo adora inventar pra dizer que inventou/entende alguma coisa. Continuo achando que eles são apenas rock e tá bom demais assim. Mais leve ou mais pesado, rock.

Bom, confesso que hoje, muito mais envolvido com música do que nunca, esperava bastante de um álbum deles. Também depois de uma trilogia (álbum triplo e raridade restrita à especiais importados que custavam o olho da cara, na minha época) enfadonha, “¡Uno!”, “¡Dos!” e “¡Tré!”, não tinha como piorar.

E não piorou mesmo. Veio “Revolution Radio” e o hype, este que para ser bem sincero eu odeio. Hype em cima de tudo e tudo que todo mundo lança – ainda que igual a qualquer coisa já lançada por elas ou por outras – são lindas, maravilhosas.

Assim como demorei para perceber que “Dookie” e “Nimrod” são grandes álbuns preferi esperar e ouvir “Revolution Radio” algumas vezes antes de falar alguma coisa. Inclusive estou ouvindo agora Forever Now, que tem uma pegadinha legal.

Das músicas que me chamaram a atenção no disco foram justamente as duas que se tornaram os singles-carro-chefe: Bang Bang e Revolution Radio. A primeira fala sobre o desespero por exposição, principalmente dos mais jovens, na internet. Praticamente um apelo por atenção e que eles estão dispostos a tudo para tal.

A faixa-título encaixa-se perfeitamente no contexto do momento norte-americano. Quando a música foi lançada Trump ainda não tinha sido eleito, mas o medo e o caos já tomavam conta. Isso sem falar que Revolution Radio também toca em outros temas.

“Revolution Radio” é simples, sem mais delongas, conta com uma produção bem bacana, ainda que muitos digam que “foi produzido somente pela banda”. Qual a diferença? Não tem nada de produção de garagem nele. Fim. Não estou falando que seja ruim, pelo contrário.

Um acerto foram os temas, completamente atuais e abordados até certo ponto de maneira correta: exposição exagerada, política, opiniões próprias e por aí vai.

O lance bom é que o Green Day voltou a estaca anterior à trilogia (TRIPLO!), ainda que ela não seja minha preferida.

É compreensível, já que depois de uma mudança – dos anos 90 para a era “American Idiot” – veio um deslize e agora a volta ao normal. “Revolution Radio” é isso, apenas uma continuação do que eles já estavam fazendo.

Gostar ou não depende da sua fase preferida, ou se você gosta de todas, vai gostar de “Revolution Radio”. É isso que ele é.

 

Foto: Divulgação/Internet

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