Resenha: Sons of Apollo em São Paulo

Supergrupos não são nenhuma novidade. Caracterizados por bandas compostas por membros já consagrados no cenário musical, é possível citar grandes exemplos desde os anos 60 até hoje, como Cream, Emerson, Lake & Palmer, Journey, Asia, Temple of The Dog, Chickenfoot, dentre muitos outros. Com isso em mente, talvez ninguém conheça melhor o que é fazer parte de um supergrupo como o baterista Mike Portnoy.

Conhecido originalmente por seu grande trabalho no Dream Theater, desde que se desvinculou da banda no final de 2010, o batera participou do Avenged Sevenfold e fundou ou fez parte de diversos supergrupos como Adrenaline Mob, Flying Colors e The Winery Dogs, esta última com o baixista Billy Sheehan (David Lee Roth, Mr. Big, carreira solo) e o guitarrista e vocalista Richie Kotzen (Poison, Mr. Big, carreira solo), passando pelo Brasil nas turnês dos dois álbuns lançados.

Nesse ínterim, Portnoy e Sheehan trabalharam juntos com o guitarrista Tony McAlpine em um projeto instrumental, cujo tecladista era ninguém mais, ninguém menos do que Derek Sherinian, que também fez parte do Dream Theater, na que é considerada uma das melhores fases da banda.

Sherinian convidou Portnoy para um projeto integral, que prontamente aceitou, resultando na banda Sons Of Apollo, chamando o grande guitarrista Ron “Bumblefoot” Thal (Art of Anarchy, Guns N’ Roses) e o vocalista Jeff Scott Soto (Yngwie Malmsteen, Talsiman) para compor o time.

O supergrupo gravou seu primeiro álbum “Psychotic Symphony”, lançado em outubro de 2017, com estilo fundamentalmente de metal bastante progressivo, mas com alguns elementos de hard rock. O álbum foi bem recebido pela mídia especializada e a banda logo saiu em turnê mundial, passando pelo Brasil e, mais especificamente por São Paulo, no dia 14 de abril de 2018, no Tropical Butantã.

O show teve abertura da respeitada banda de heavy rock brasileira, Republica, que está no cenário músical desde o início dos anos 90, onde teve a oportunidade de apresentar musicas de sua rica carreira e seu mais recente álbum, Brutal & Beautiful, de 2017.

O Sons of Apollo entrou no palco por volta das 22:30h e logo de cara, com a música “God of the Sun”, seus membros já demonstraram porque são tão conceituados em seus respectivos instrumentos. Com uma sequência composta por impressionantes demonstrações técnicas e musicais, emendaram “Signs of Time” e “Divine Addiction”, todas de seu álbum de estreia. Por sinal, mencionado álbum foi tocado na íntegra, embora em ordem diversa da gravação de estúdio.

O show foi permeado com longos instrumentais, solos de seus integrantes (até mesmo do vocalista Jeff Scott Soto), além de covers como “Just Let Me Breath” e Lines in the Sand” do Dream Theater, “The Prophet’s Song” e “Save Me” do Queen e “And the Cradle Will Rock…” do Van Halen. A banda interagiu bastante com o público, confessando enorme empolgação em passar por São Paulo, pois a capital paulista foi palco para alguns dos melhores momentos de suas carreiras.

Curiosamente, durante um monólogo do vocalista Jeff Scott Soto, onde brincava com a plateia e arriscava algumas palavras em português, mas sempre acompanhado de uma caipiroska (chegou até a brincar e cantar “vira, vira, vira”), o mesmo confessou sua felicidade em fazer parte da banda. Jeff já havia feito alguns shows de abertura para o The Winery Dogs e, acabou por impressionar Portnoy, abrindo portas para o atual projeto.

A banda deixou sua música mais famosa “Coming Home” para o bis e, em seguida se despediu ao som do clássico “Happy Trails” do Roy Rogers. Por sua vez, o público paulistano correspondeu durante todo o show, mesmo se tratando de um projeto e, consequentemente, álbum recentes, tornando o espetáculo ainda melhor.

A banda segue para Belo Horizonte, onde se apresentará no Music Hall na noite deste domingo encerrando a turnê.

 

Texto: Gabriel Lambert

Foto: Leandro Anhelli/Divulgação

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