Resumão do Lollapalooza Brasil 2016

Neste fim de semana aconteceu mais uma edição do Lollapalooza no Brasil e a sensação que tive ao sair de lá foi que, 6 edições depois, o festival acertou a mão, em cheio. Em meio à crise política e econômica no país, o interior do Autódromo de Interlagos parecia um mundo a parte.

Tudo era comprado e consumido em grande quantidade – ainda que uma cerveja saísse por 12 reais -, mas é isso, crise a parte, o lance era se divertir e isso aconteceu. A estrutura estava melhor, detalhes como latas de lixo estavam bem espalhadas e posicionadas pelo local e a galera contribuiu também.

Em um sábado onde o tempo colaborou, se apresentaram nomes como Eagles of Death Metal, Of Monsters And Men, Mumford  & Sons e o tão aguardado Enimem, entre outros.

A primeira ganhou muita notoriedade entre os que não eram fãs por conta do ataque terrorista enquanto tocavam no Bataclan em Paris no ano passado. Houve quem torcesse o nariz ao rock sujo e alto do EoDM, em meio a um festival “mais indie” é até compreensível, mas nem tanto.

Foto: Joel Saget/AFP
Foto: Joel Saget/AFP

Jesse Hughes, comandante do Eagles of Death Metal ao vivo, é simpatia pura. Cantava, dançava e interagia com o público o tempo todo dizendo que tinha muita sorte de estar ali, que amava os fãs e por aí vai. A banda investiu em músicas de “Zipper Down”, seu mais novo álbum, e fez até cover de Duran Duran.

O rock cru e a postura roqueiro true de Hughes no geral agradaram e acredito que tenha sido o melhor show do primeiro dia de festival, também justamente por ser o contra-ponto ao limpinho e politicamente correto – não estou dizendo que isso é ruim, apenas que prefiro o estilo EoDM.

Of Monsters And Men e Mumford & Sons eram duas das bandas mais esperadas do dia. A primeira, comandada pela vocalista Nanna Bryndís, apresentou um repertório de toda a sua carreira e agradou os fãs, ainda que de longe do palco Onix, o som parecia bem baixo, mas quem estava próximo vibrava bastante.

O Mumford & Sons enfrentou o mesmo problema de som, mas nem isso e muito menos uma pessoa invadindo o palco fora suficientes para tirar a animação de Marcus Mumford que disse que o Brasil era seu país favorito e que aquele foi um dos grandes shows da banda. O Mumford fez uma apresentação bem satisfatória para todo mundo.

O healiner da noite, o rapper Eminem era sem dúvida o mais esperado e ovacionado. Ainda que com menos hits em seus discos que no começo da carreira, todo muito esperava por eles e ele os entregou. Love The Way You Lie e The Monster, ambas contando com o sample de Rihanna, a ótima Stan – sample de Dido -, Lose Yourself e as bem humoradas Without Me e The Real Slim Shady estavam na ponta da língua.

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Foto: Flavio Moraes/G1

Em épocas de músicos politicamente corretos e de rappers de aparência, Enimem foi simples em sua apresentação e disparou palavrões na mesma velocidade que entoa críticas a outros artistas em suas letras. A gente agradece.

O domingo, segundo e último dia de Lollapalooza Brasil 2016, chegou e com ele a responsabilidade de animar a galera estava clara: Noel Gallagher e seus High Flying Birds, Alabama Shakes e Florence And The Machine. E foi isso que aconteceu.

Noel passeou por músicas dos seus dois discos solo e era visto como um mito pelo público que o conhece desde os tempos de Oasis e foi justamente quando o irmão guitarrista tocou clássicos de sua ex-banda que o público foi ao delírio: Champagne Supernova, Wonderwall e Don’t Look Back In Anger. Outras foram tocadas mas essas três emocionaram e fizeram pensar que Noel Gallagher talvez pudesse ter uma posição melhor dentro do festival. Headliner talvez? Se Jack White foi no ano passado, porque não?

Uma diva-soul-blueseira-da-era-pós-moderna-indie-hypster-linda. Essa é Brittany Howard, vocalista, guitarrista e liderança maior do Alabama Shakes que voltou ao país para sua segunda passagem, três anos depois da primeira, e não decepcionou, explorando músicas dos seus dois discos de estúdio e desfilando hits com ou sem a guitarra em punho. Com certeza o show do Shakes no Lollapalooza será um divisor de águas para a banda, já tão adorada, no país.

Antes de mencionar os headliners da noite, vale falar sobre o Jack Ü. A dupla de produtores/DJs/bombados no mundo todo, Skrillex e Diplo transformou o Lollapalooza em uma pista de dança tocando para uma multidão. Indo de trechos do megahit Hello da Adele até Sorry de Justin Bieber, passando por Wesley Safadão e um trecho da Marcha Imperial de Star Wars, a dupla ainda chamou ao palco o MC Bin Laden para Tá tranquilo, tá favorável.

Sem dúvida o sucesso no show do Skrillex no Lolla de 2015 fez com que ele voltasse com seu novo projeto este ano e se em 2017 rolar um novo projeto será a mesma coisa. Vale dizer que ele também tocou no festival em 2012.

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Foto: Caio Kenji/G1

Bom, mas a catarse veio mesmo com Florence And The Machine, que encerrou o Lollapalooza Brasil 2016 com chave de ouro e chuva. Florence Welch e seu vestido esvoaçante comandaram o público e impressionaram muito por isso. Com arranjos excelentes ao vivo Ship to Wreck, Shake It Out, Delilah deixaram a galera de boca aberta, mas o hino da noite foi Dog Days Are Over mesmo, obviamente.

Welch mostrou a enorme capacidade de comandar o público ela mesma, sozinha e pronto. Com uma banda extremamente competente ela desfilava descalça pelo palco e descia para interagir com os fãs sem medo de ser feliz.

E foi nesse clima que o Lollapalooza Brasil 2016 se despediu. Mais uma vez um grande festival, com uma mistura boa de público, com detalhes acertados em relação aos últimos anos. Saldo positivo.

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