Rock Noize Entrevista: Cachorro Grande

Nessa quinta-feira, 12 de setembro, a Cachorro Grande irá se apresentar no Sesc Pompéia em São Paulo (veja todas as informações aqui) e na tarde da última segunda-feira, nosso colaborador Tiago Oliveira e nosso editor Marcelo Coleto bateram um papo com os 5 integrantes do grupo.

A conversa aconteceu no Caos Augusta, um bar e loja com boas cervejas, mulheres bonitas e brinquedos antigos (site oficial aqui), vale muito a visita.

Em meio a piadas, risadas e todos querendo uma cerveja, falamos à respeito do DVD “Ao Vivo No Circo Voador”, sobre a expectativa do show na capital paulista, sobre o relançamento de “Baixo Augusta” e muito mais!

Confere aí e fique ligado pois o Rock Noize fará a cobertura completa do show do quinteto no Sesc Pompéia!

Tiago Oliveira (RockNoize): Como surgiu a idéia de lançar o dvd dois anos depois da gravação?  Tem algo a ver com os 15 anos da banda?

Marcelo Gross: Cara, felizmente coincidiu, mas a principio era pra ser um programa de televisão gravado pela MTV. A gente tinha um show marcado no Rio de Janeiro no Circo Voador, junto com bandas uns amigos nossos e então era para ser um programa, que acabou sendo arquivado e depois o pessoal que editou as imagens, o Thomas,  eles me falaram que estavam com um material muito bom. “Vale a pena vocês darem uma olhada se vocês se interessam em fazer alguma outra coisa”. A gente viu que tinha uma qualidade de fazer um DVD apesar dos erros normais que acontecem no show da Cachorro Grande, e foi isso que aconteceu, não teve pós  produção de regravar voz, guitarra, teve apenas uma mixagem.

Beto Bruno: Como nos pegou de surpresa, nós fomos para gravar um programa de TV então não ensaiou, a gente não trabalhou um repertório de um DVD. Três da tarde estávamos no posto enchendo a cara. Por exemplo, se fosse o Vanguart, o Mancha estaria 3 dias na casa dele sem falar com ninguém cuidando da voz (brinca). Sabe, nós estávamos enchendo a cara, como pegou de surpresa, então pra ficar verdadeiro não teve nenhum overdub, porque todos os erros de shows da Cachorro Grande tem lá no DVD.

Pedro Pelotas: E isso é raríssimo pois todo DVD que tem de bandas eles tem uma “maquiagem”, depois uma afinação, e ao mesmo tempo os DVD’s que a gente cresceu vendo, os filmes de show tipo os Rolling Stones no Hyde Park, a coisa mais normal era até conversa “pô a guitarra tá desafinada e tal”, sabe isso ai pra nós é normal.

Marcelo Gross: E viva o Rock and Roll, aquilo que a gente gosta e representa, e a edição do Thomas ficou muito bacana. Ele fez uma coisa especial com material bruto maluco e isso conta bastante na qualidade final do DVD.

RN: E o que o publico paulistano pode esperar desse show de lançamento do DVD?

Beto Bruno:  O repertório da carreira.

Marcelo Gross: É que como São Paulo é uma cidade que nos acolheu e abrigou nesses últimos 10 anos, sempre é muito especial pra gente quando toca aqui. É um carinho muito especial, aqui acabou se tornando nossa casa, a gente mora aqui há 10 anos então temos uma eterna gratidão com o publico paulistano e paulista, e ter proporcionado a gente a ter continuado com a nossa carreira. Se a gente tivesse ficado no sul talvez não desse certo.

Pedro Pelotas: Além disso, é muito bom fazer shows no Sesc Pompéia, pela região que é muito especial e pelo local.

Marcelo Gross: Lá é um excelente lugar para fazer show, a lotação máxima é 1.500 pessoas e no máximo de pessoas que vão sempre são 800 pessoas, o chopp tá sempre gelado e a região ali é a região do rock, dos Mutantes, então tem tudo a ver. Adoramos aquela região e vai ser muito especial.

Gabriel Azambuja: O bom de tocar em São Paulo é que puxa da gente fazer um belo show. O público daqui dá pra dizer que é um publico exigente. As pessoas que gostam, que curtem rock, sentimos muita a diferença de publico para outros lugares, aqui é tipo um termômetro do Brasil disparado.

Beto Bruno: E a gente pode pirar mais aqui, a gente não pode fazer o mesmo show da turnê tocando o mesmo repertório 3 vezes para o publico paulistano,  que é um respeito ao fã por assistir. Então tudo bem pra nós fazer algo diferente, é um tesão maior, tem mas loucura. Se a gente for tocar pela primeira vez em uma cidade, em Sinop no interior de Mato Grosso fomos tocar a primeira vez depois de 15 anos, a gente não sabe se vai voltar lá nos próximos 15 anos então esse show nós fazemos os “hitizinhos”. Faz um show de estrada, a gente pega todas as músicas que se transformaram em clipes, nos pseudo hits. Temos que tocar tudo, fazer uma coletânea de todo trabalho. Aqui a galera já ouviu mil vezes a gente tocar Bom Brasileiro, Sinceramente, a gente pode pirar em umas músicas mais lado B e quando fazemos isso temos um tesão maior em poder fazer essas coisas mais malucas e o publico responde também, como agradecimento, tipo “que bom os caras não tocaram Sinceramente, perfeito”. Já viu mil vezes aquilo lá.

Pedro Pelotas: Apesar de ser o lançamento do nosso primeiro DVD, depois disso lançamos um outro disco, então vamos tocar músicas do “Baixo Augusta”.

Rodolfo Krieger: Até porque estamos lançando o “Baixo Augusta” em vinil.

Marcelo Coleto (RockNoize): Minha mãe sempre gostou muito de rock e faz tempo dias estava ouvindo o “Baixo Augusta”, ai ela perguntou que banda era e tal…. falei que era Cachorro Grande, “Baixo Augusta”… ela respondeu  “É muito bom esse som”.

Marcelo Gross: Tá vendo é um som pra todas as idades.

Beto Bruno: Você pode fazer o favor de na edição botar isso, fala que passou um rapaz e disse que a mãe curte e tal.

Gabriel Azambuja: Isso é uma coisa que mata de orgulho, tipo, pessoas de 8 anos a 80, gostando da banda, tipo Beatles.

Banda: Manda um beijo pra senhora sua mãe.

RN: E quanto ano novo disco, como esta o processo, vocês já estão compondo, gravando algo?

Beto Bruno: Estamos naquela fase embrionária de mostramos as demos caseiras uns para os outros. Tem uma ideia vai na casa do outro, mata com uma musiquinha.

RN: Vocês fazem sempre assim juntando as ideias ou vocês se juntam e se trancam em um estúdio?

Marcelo Gross: Nasce de uma forma diferente, às vezes eu faço uma música, o Rodolfo faz outra, a galera completa com resto do arranjo, às vezes o Beto tem metade das músicas e eu completo com outra metade.

Rodolfo Krieger: A única regra é que não tem regra, do tipo a vamos sentar, vamos fazer uma balada um rock, o que vai aparecendo vamos complementando.

Beto Bruno: A gente não é uma banda que pode falar “Ah vamos parar 6 meses para fazer um disco”. A gente não pode, senão eu não pago minhas contas.

Rodolfo Krieger: E a principio em janeiro já estaremos dentro do estúdio, pra ver se já conseguimos lançar para março. E no Natal também preparamos um compacto LP 7 polegadas com 2 músicas que não entraram no “Baixo Augusta” que vão ser lançadas só nesse formato.

Beto Bruno: Não podemos perder tempo, é uma banda que está correndo atrás desde seu primeiro show. Não pode se dar o luxo de parar para compor e ficar preso no estúdio um tempão. Temos que lançar material novo para dar entrevistas para vocês, entendeu? Se não fizer isso não rola.

Pedro Pelotas: A gente tem que trabalhar para pagar as contas, a gente toca todo fim de semana. Se fica um fim de semana sem tocar, ficamos “ó  não temos show”, ficamos nervosos.

Beto Bruno: E é assim que a gente funciona sabe? Facilitamos para chegar no show, facilita no cachê, pra tá todo fim de semana na estrada.

RN: E vocês fazem quantos shows por mês?

Banda: Supondo, tem mês que faz 8, tem mês que faz 6, em janeiro faz 2. Fevereiro é pior ainda, é o inferno astral da banda. Nosso ano começa depois do Carnaval, por isso queremos gravar nessa época, perto dos shows, mas dá pra dizer que quase todo final de semana temos 2 shows em média, uma média próxima a 8 shows mês.

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Tiago Oliveira (último esquerda) e Marcelo Coleto (centro) com a Cachorro Grande

RN: Vocês estão relançando o “Baixo Augusta” em vinil e tem muita gente lançando vinil de uns anos pra cá, o que vocês acham disso? O vinil voltou pra ficar pelo jeito, né?

Banda: Vinil é um fetiche de quem é apaixonado por música, então quem não é apaixonado por música não vê tanta importância nisso. É a pessoa que tá ouvindo música pra fazer outra coisa, esporadicamente. Pra quem é apaixonado por música o vinil é o formato mais legal que tem. A música virou uma trilha sonora saca? A pessoa bota no computador, vai lavar louça, vai falar com alguém no computador. Não existe mais aquilo de “vamos sentar em casa e ouvir um vinil”. No Brasil agora tá mais barato mandar importar um equipamento de vinil bom para se apreciar, coisa que antigamente não existia, coisa que lá fora sempre teve, mas tá rolando uma ondinha, uma marolinha.

Marcelo Gross: E esse nosso vinil é fabricado na Republica Tcheca, foi remasterizado na Inglaterra, foi todo feito em formato digital e foi manofaturado pela equipe de handball feminina. Todas loiras com peitos de fora. Elas embalaram todos os discos com o peito de fora, passaram os peitos em todos os discos. Temos fotos de tudo isso mas não queríamos nos aproveitar de tudo isso para vender o disco. Mas as tchecas são as melhores para embalar vinil, igual as cubanas enrolando charutos.

RN: Esses dias estava assistindo pelo Youtube o Lunáticos TV, queria saber de quem partiu essa ideia de registrar um pouco do dia a dia de vocês, cenas de shows, bastidores, essas coisas?

Beto Bruno: As bandas da nossa geração e talvez nós, principalmente, nunca tivemos um contato com a galera que fica na frente do computador, nunca tivemos esse apelo e sempre teve uma pessoa que fez isso por nós no escritório. Mas as pessoas não se envolviam porque sabiam que não era direto com nós, e isso foi uma maneira que a gente fez para se aproximar mais da galera. Por exemplo, somos nós que editamos, nós que filmamos.

Pedro Pelotas: Inclusive, ó vocês, vão aparecer no próximo Lunáticos TV.

Beto Bruno: E isso tem aproximado. A galera vê e sabe que, por exemplo, que nós tocamos em Salvador, e fica esperando sair o próximo episódio.

RN: Teve um capítulo de Goiânia e Brasília…

Pedro Pelotas: Na verdade é um diário de bordo  bem despretensioso, as imagens vão sempre, não importa o tipo de imagem, e sempre mandamos pra galera e eles curtem, vamos dando continuidade.

Rodolfo Krieger: Inclusive as redes sociais somos nós que cuidamos. Antes era o pessoal do escritório dai os caras postavam umas frases de impactos horrorosas. Pô, nossos fás viam que não éramos nós que postavamos, ficava tudo muito fake, e por isso agora tomamos conta e fica um contato mais direto.

Pedro Pelotas: Apesar de nenhum de nós ser assim, muito adaptado e hitech, a gente tá procurando um meio de se aproximar e isso é impossível de você querer fugir. Dessa era tecnológica.

RN: Fora os shows do DVD, o que vocês tem feito? Algum projeto paralelo, alguma parceria?

Beto Bruno: Ah tem, tem sim, sempre tem um né, sempre tem um queimando filme.

Marcelo Gross: Vai sair sim, tem uns 3 anos. Pessoal fica ai, só porque é muito bom ai vai ofuscar. To brincando. A gente faz muita composição ai acaba ficando umas músicas de lado, ai tiveram algumas coisas que quis me livrar, mas vai lançar mais para o fim do ano.

Banda: Ele aproveita que o pessoal pergunta e sempre fala que vai lançar, assim sempre vão continuar perguntando sobre isso, mas ele já tinha parado de falar sobre isso… Mas obrigado.

RN: Queria saber sobre as influencias da banda…

Beto Bruno: Eu sou influenciado pelo Coruja que é influenciado pelo Fedor, que é influenciado pelo Boizinho que é influenciado pelo Tico Tico e Beija Flor (dupla sertaneja). Sou influenciado até pelo Tibiro.

Pedro Pelotas: Sou influenciado pela Dona Joaninha que faz um excelente tutu de feijão, um excelente ravioli, torteli, por tudo isso.

Beto Bruno: Somos influenciados pelo whisky, destilados. Cara, Beatles, Stones e The Woo.

RN: Uma curiosidade, vocês tocaram Simpathy For The Devil (Rolling Stones) – no backstage das gravações do DVD- , porque Simpathy for The Devil?

Beto Bruno: Foi uma loucura de camarim:  O que nós vamos tocar ai  Lobão? (participou do DVD)”.  Ele disse que queria ir para bateria, ai então tá, toca essa dai.

Rodolfo Krieger: E foi legal que o Lobão fez um axé na bataria, exu lobão quer baseado… Simpathy Exu.

 

Agradecimentos à toda Cachorro Grande pela conversa e pelas risadas!

Entrevista: Tiago Oliveira

Edição, fotografia e perguntas aleatórias: Marcelo Coleto

 

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