Rock Noize Entrevista: Moxine

No dia 8 de novembro, uma sexta-feira de calor em São Paulo, acompanhamos um show do Moxine na aconchegante e despretenciosa Casa do Mancha na Vila Madalena.

O lugar é bem legal, uma casa mesmo. Com direito a sofás, quintal e churrasqueira. Um bar instalado, banheiros à vista e um show feito em plena sala deram o tom.

Naquela noite, antes da apresentação, batemos um papo com Mônica Agena, líder do Moxine e que já tocou com Natiruts, Emicida e Fernanda Takai.

Confira a entrevista abaixo e você pode ouvir o Moxine clicando aqui.

Rock Noize: Algo bem curioso é que você já tocou com Emicida, Fernanda Taki e Natiruts e agora você está fazendo um som diferente de tudo isso, como que é esse tipo de mistura?

Mônica: Na verdade eu comecei a tocando rock né. Com 13 anos de idade fazia aulas de guitarra com um amigo do bairro que tinha uma banda que fazia covers de Iron Maiden e Black Sabbath. Então eu tocava rock. Na verdade, o diferente foi quando comecei a tocar com o Natiruts. Eu era bem nova, tinha uns 23 anos de idade. O diferente para mim foi aprender a linguagem do reggae e eu toquei com o Natiruts por 9 anos mas eu ficava bem livre, tocava do meu jeito. Os outros estilos, comecei a tocar com o Emicida; é recente. Tanto o Emicida quanto o Natiruts, o reggae e o rap no Brasil, se fundem com outros estilos. Então isso dá abertura para você tocar do seu jeito. Tem bastante espaço para rock.

Rock Noize: E o que isso traz para o Moxine?

Mônica: Eu acho que para o Moxine eu bebo de muitas fontes como inspiração então eu não me restrinjo a ouvir só rock. Gosto muito de Motown, de disco. Gosto de muito de dub. Tocando com o Natiruts eu comecei a ouvir muita coisa de dub. Gosto de mpb. Então naturalmente você absorve essas coisas e isso fica impresso quando você compõe então eu acho que acrescenta muito.

Rock Noize: O Moxime é um projeto seu? Por que quando alguém está numa banda e tem um projeto paralelo soa como “agora vou fazer algo meu”, é tipo isso?

Mônica: É um pouco sim. Na verdade eu sempre toquei guitarra, sempre fui só guitarrista mas sempre escrevi letras e sempre fiz minhas músicas por uma necessidade de comunicar com as pessoas mesmo. Não que os instrumentistas não toquem as pessoas e eu sou uma pessoa que sou muito inspirada por guitarristas mas senti a necessidade de tocar as pessoas de uma outra maneira. E comecei despretensiosamente gravando e sem pensar em formatos engessados.

Rock Noize: Você já se apresentou no Liverpool Sound City…

Mônica: Foi logo depois do Southwest By Southwest, em 2010. Tocamos no SXSW em março e em maio fomos para Liverpool.

Rock Noize: Você acha que o fato de cantar em inglês e fazer um tipo de som que talvez, até lá fora seja mais difundido, ajudou para tocar lá?

Mônica: Lá fomos sem estrutura. Fomos bem mochilão na verdade, então não fica muito magnificado. Esses festivais chamam bandas do mundo inteiro para tocar mas fica naquilo. Você vai lá e toca em lugares como Casa do Mancha, Beco… Tem vários tipos de lugares, mas fica nesse perfil. Se você não tem um trabalho, uma assessoria de imprensa local ou um selo te divulgando, você vai lá, toca e volta. Óbvio que você passar por palcos internacionais agrega uma experiência, um valor para a história da banda.

Rock Noize: E sobre o disco novo? Gosto muito de EP e me atrai muito esse formato… Você vai lançar um disco, um EP, músicas soltas…

Mônica: Eu fico muito confusa… É uma pergunta que me deixa confusa (risos). Fico pirando nisso também. Gosto de formatos sem esse compromisso com a indústria. Na verdade fazer o álbum foi meio que uma pressão indireta do mercado, o que ainda existe. Principalmente quando a banda não tem nada, sempre fica essa cobrança. Eu percebia que para jornalistas, imprensa, tinha um certo peso, tipo “e aí quando você vai lançar um álbum mesmo?”. Acho legal [EPs], ainda mais hoje que tudo é muito rápido. Não sei se vocês sentem isso mas hoje tem muita banda, sempre teve, mas hoje tem muitas…

Rock Noize: É diferente profissionalmente, pois parece que a banda fica mais à vontade…

Mônica: O que eu acho que em um álbum você pode ter mais desdobramentos. Fazer uma balada, uma música mais pesada, uma música mais dançante. Mas eu gosto [de EPs], fico mais leve… Eu componho como uma constante, claro que tem momentos em que você está mais focado nisso mas não parei para pensar nisso. Agora estamos mais focados em divulgar esse álbum, apesar de estar pronto faz tempo está chegando nas pessoas agora.

 

Foto: Divulgação/Internet

 

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