Mick Jagger fala sobre o show histórico do Rolling Stones em Cuba: “Eu não queria decepcionar os cubanos”

ViewImageNesta semana você viu aqui no Rock Noize que os cinemas brasileiros vão receber Havana Moon – The Rolling Stone Live in Cuba. O longa é baseado em um show que a banda realizou no dia 25 de março deste ano por lá.

A apresentação histórica será transmitida nas redes Cinemark, UCI e Cinépolis no Brasil no dia 6 de outubro e você pode garantir o seu ingresso entrando em www.stonesincuba.com. 

Bom, para aquecer ainda mais essa espera, a Agência Febre nos enviou uma entrevista muito bacana de Mick Jagger falando sobre a experiência dos Stones terem tocado em Cuba e você confere abaixo.

P: Vocês algum dia receberam cartas de fãs cubanos?

Mick Jagger: Não, eu não me lembro de nenhuma. É muito próximo aos Estados Unidos, então a rádio se sobrepõe e acaba acontecendo muita troca de música. As pessoas conheciam os Beatles e os Rolling Stones e todas essas coisas, não era tão isolado. Quero dizer, isolado sim, e era difícil obter coisas, mas na Polônia também era assim. As pessoas conseguiam as coisas que lhes interessavam. Fomos à Polônia em 1966, e foi bem estranho. Aquele era um Estado muito mais reprimido que Cuba.

P: Você teve a oportunidade de explorar a cidade antes ou depois do show?

MJ: Não tivemos tempo. Você chega num dia, é um bafafá de imprensa, você vai, come, faz o show e no dia seguinte, vai embora. É praticamente impossível ter alguma impressão da cidade. Houve uma festa na Embaixada Britânica. Mas você está tentando se concentrar no show. Eu me diverti muito, porque eu já havia estado lá por algumas semanas no passado e tudo continuava vivo na minha memória. E me encontrei com pessoas que conheci antes. Mas se eu não tivesse estado lá antes, eu estaria nessa pressa de ter tudo perfeito para o show, o que ainda estava meio indefinido.

P: O show aconteceu oito dias depois da data anterior na Cidade do México, no tour latino-americano ‘América Latina Olé.’ Oito dias são suficientes para estar perfeitamente pronto para o próximo show?

MJ: É um intervalo pequeno, mas você tem que continuar, tem que fazer todos os seus treinos vocais e exercícios. Acho que fui para as Antilhas (nesse meio tempo) e todos os outros foram para Miami, acho. Eu tinha que estar bem para aquele show, eu não queria decepcionar os cubanos.

P: Você falou bastante espanhol no show. Você fala a língua?

MJ: Não muito. Eu a considero fácil, e se eu me preparo, eu consigo. Estive em países hispanos por quase todo o tour, além do tour no Brasil, que é em português e mais difícil. Então eu estive mais ou menos bem. Até minha filha Jade me deu um elogio meio hesitante. O espanhol dela é muito bom e ela disse: “Seu espanhol não foi assim tão ruim.” Eu disse: “Bem, eu venho falando há mais ou menos três meses”.

Acho que você tem que fazer um esforço para se comunicar com as pessoas na língua deles. Mesmo que seja um desastre, não importa. As pessoas te agradecem por tentar. Muitas pessoas falam inglês, mas não em todas as partes, então é bom saber frases. O que acontece com o espanhol é que é diferente em cada país. Eles têm palavras e gírias diferentes e também pronúncias diferentes. Alguém me disse: “Você não pode pronunciar assim, você soa como um chileno”. E eu disse: “E o que tem de errado nisso?”.

P: A participação do coral local, Entrevoces, no coro de “You Can’t Always Get What You Want” foi muito comovente.

MJ: Eles foram muito bons. Nós temos uma rede de corais com os quais mantemos uma ligação por todas as partes do mundo. Nós fazemos um ensaio com eles no dia anterior, e se podemos, nós fazemos mais um no dia do show, nos bastidores ou no palco.

P: Vocês já foram capturados em filme em vários palcos ao redor do mundo nas últimas décadas, mas deve ser bom ter uma memória permanente deste show em particular.

MJ: Sim, creio que sim. Foi uma noite muito especial para os cubanos e algumas pessoas mais velhas disseram que pensaram que isso nunca iria acontecer, que aquele tipo de mundo já não os alcançaria mais. As pessoas mais jovens não pensam necessariamente assim, eles só querem se divertir e estão felizes que pessoas estão vindo e, quem sabe, outras virão.

Não há necessidade de serem sempre shows grátis ao ar livre, porque isso é bem complicado de fazer. Mas eles gostam de um show grátis ao ar livre! Espero que outras pessoas venham e superem as dificuldades para que Cuba se torne mais uma parada no caminho, porque os cubanos iriam amar. Eles tiveram uma noite especial e foi maravilhoso para nós também.

 

Foto: Divulgação/Internet

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