Rolling Stones reinam no 2º show em São Paulo

stones

“Hoje é sábado. Vamos quebrar tudo!” …E eles quebraram, acredite.

A noite de sábado começou com o Morumbi lotado, 65 mil pessoas espalhadas pela plateia ainda se acomodavam quando os Titãs iniciavam o show de abertura para a apresentação dos ingleses.

Eu, que não ouvia Titãs há uns bons anos, aos poucos notei que ainda lembrava de todas as músicas e pensei “Sim, ainda gosto muito desse som”.

Titãs é uma daquelas bandas que te fazem lembrar que o rock brasileiro ainda está vivo e respira ferozmente longe das apresentações em Tv aberta. No palco, Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Belloto e Mario Fabre, capricharam no rock cru, nos lembretes inspiradores e no repertório político (lembrando que política é diferente de partidarismo) encerrando sua participação com a “metafísica” de Aluga-se, do Raul Seixas.

Digno da pontualidade inglesa, o Rolling Stones entrou no palco às 21h quando Jumping Jack Flash ecoou enérgica. Na plateia, gritos, pulos, assovios e alguns contidos, apreciando bestificados o início do espetáculo.

Entre as saudações e palavrões em português  – porque aprender a dizer “boa noite” é fácil, quero ver levar com o público à loucura como “cacethá” e “bom pra caral#o” – para “SáPaulo” e os passos de dança de Mick Jager, os 54 anos dos Stones transpareciam e tornavam a linha tênue entre eles e a história do rock quase imperceptível.

O setlist, embora bem parecido com o do show de quarta-feira, 24, trouxe gratas surpresas, como All Down the Line, Wild Horses e a maravilhosa She’s a Rainbow, eleita pela votação na internet, e para a qual rolou charminho “Não, não… Essa não sabemos”.

Logo após as carinhosas apresentações da banda, Jager deixou o palco e Keith Richards assumiu os vocais com Slipping Away e Before They Make Me Run, agradecendo aos gritos e aplausos do público com certa timidez.

Filho do blues, que não nega sua genética e raiz, o Stones lança sobre todas as músicas a energia do ritmo e deixa claro a reverência ao som com os solos rasgados de gaita que introduzem Midnight Rambler.

Gimme Shelter, como sempre, incendeia palco e público e tira de Mick a alma bailarina cheia de intensidade e luxúria. Destaque especial para banda, impecável e, aparentemente muito feliz em acompanhar os ingleses, e para a deusa Sasha Allen, a backing vocal que parece flutuar na mesma órbita de energia que o líder do grupo.

Para encerrar, Star Me Up, Sympathy For The Devil e Brown Sugar espantam a breve chuva que refrescou a noite, e mostram mais uma vez a insuperável destreza da mais bem sucedida banda de rock do mundo.

Infelizmente, enquanto o grupo se preparava para o bis, o público não os chamou de volta (exceto pequenos grupos isolados) e parecia mais preocupado com os celulares, selfies e conversas ao pé do ouvido. Nessas horas, e em algumas outras durante a noite, sempre me pergunto por que algumas pessoas se dispõem a pagar uma fortuna para ir a um show e ignorar a atração, mas enfim…

Na volta, Can’t Aways Get introduzida por um belo coral e Satisfaction dão adeus a São Paulo com um espetáculo de fogos.

Para quem viu o Rolling Stones 10 anos atrás, uma certeza: Eles estão cada vez melhores. Para quem pulou, gritou (e acordou sem voz nesse domingo nublado) um desejo: vê-los ainda muita vezes.

A parte da minha visão como jornalista, eu preciso dizer: O Rolling Stones não é sinônimo, apenas, de longevidade e sucesso, mas sim a perfeita definição de imortalidade. Uma equação precisa de três “meninos” enfeitados com roupas extravagantes brincando com suas guitarras e voz sob à regência maestral do lorde Charlie Watts.

Em nós, os presentes nesses últimos shows e nos ansiosos que os esperam em Porto Alegre, a sensação única de ter visto o rock materializado em formas humanas e as lembranças memoráveis de ter feito, ao menos por algumas horas, parte dessa história.

“Vivam pelo rock, pessoas. Por que ele vive por nós”.

setlist

Fotos: Divulgação/Facebook

 

 

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