“Sinto muita falta do meu irmão”; Leia a entrevista exclusiva com irmão de Joey Ramone

Na última segunda-feira (18), uma parte da história do punk aterrissou no Rio de Janeiro: Mickey Leigh.

O irmão mais novo de Joey Ramone está no nosso país para divulgar o lançamento da versão brasileira do seu livro “Eu dormi com Joey Ramone: memórias de uma família punk rock”  e o Rock Noize foi para a sessão de autógrafos para bater um papo como o moço.

Ao entrar na livraria Travessa, do Leblon, Mickey parecia trazer o punk dos Ramones só com sua presença. Blusa rasgada, calça velha e um all star cano médio, amarelo mostarda.

Com muita simpatia e bom humor, Mickey nos respondeu a algumas perguntas bebendo vinho e parando algumas vezes para cumprimentar os fãs que chegavam com o livro para autografar.

Rock Noize: Olá, Mickey. Tudo bem? Está aproveitando a viagem? Quantas vezes você veio ao Brasil?
Mickey Leigh: Está tudo ótimo. Só esse ano é a quinta vez. Estive outras vezes tocando e no lançamento da loja “Joey Ramone Place Rio” e dessa vez vim para lançar meu livro. Mas também vou tocar em alguns lugares com minha banda, New Yorkestra (Nesse momento ele para e pergunta para o assessor sobre os CDs e os lugares dos próximos shows para nos informar. Clique aqui para saber mais).

Rock Noize: Como foi trabalhar com Legs McNeil (escritor de “Mate me, por favor”)?
Mickey Leigh: Eu adoro McNeil, mas foi muito difícil essa parceria. Nós escrevemos de jeitos diferentes. Minha intenção para esse livro era uma memória mais familiar, do jeito que eu lembrava de Joey. McNeil pensava de um jeito mais comercial e isso nos causou alguns conflitos durante a produção.

Rock Noize: “Eu dormi com Joey Ramone” foi lançado originalmente em 2009. A crítica foi bem receptiva, mas os fãs se dividiram entre os que gostaram e os que acharam que um lado muito negativo de Joey foi ressaltado. Como você lidou com a crítica e o que diria para esses fãs?
Mickey Leigh:  “Go to hell”! As pessoas idealizam muito Joey. O colocam em um pedestal. Eu escrevi sobre meu irmão mais velho. Quem tem irmão mais velho sabe como funciona essa relação, essas brigas… Se você não quer saber a verdade, não leia o livro.

Rock Noize: E o que a família achou do livro?
Mickey Leigh:  A família e os amigos mais próximos gostaram.

Rock Noize: Enquanto você escrevia o livro, qual a melhor lembrança que encontrou?
Mickey Leigh:  Difícil escolher entre essas 400 páginas. Mas mesmo a mais doce das lembranças me deixam triste. Sinto muito a falta dele. Lembro quando ele pagou a gravação do meu primeiro CD, antes do Ramones fazer sucesso e tudo mais.

Rock Noize: E o que você mais sente falta na sua relação com seu irmão? Você tem alguma música que o faça lembrar dele?
Mickey Leigh:  Tudo. Novembro é um saco porque é ação de graças e eu não tenho mais minha mãe e meu irmão junto comigo. Minha mãe morreu em 2007, antes de eu finalizar o livro. Uma música especial é See My Way, que está em um EP que gravei com meu irmão, chamado “Sibling Rivalry“.

Rock Noize: A Música “The KKK took my baby away” foi mesmo para Johnny que ‘roubou’ Linda de Joey?
Mickey Leigh:  Nãããoo, nããão! Quando Joey escreveu essa música, ele ainda estava com Linda. Acredito que tenha sido para Arlene, uma amiga nossa que era negra e os pais não gostavam que andasse com os meninos brancos. Um dia ela estava lá em casa e teve que ir embora mais cedo. Quando perguntei ao meu irmão o que houve, ele disse “the kkk took her away”. Então, acredito que tenha sido pra ela.

Rock Noize: Sobre o show que você fez semana passada em São Paulo. O que você achou do público brasileiro, dessa e das outras vezes que tocou aqui?
Mickey Leigh: As pessoas sempre esperam ver o Joey em mim. É tudo sempre sobre Joey. Então é difícil mostrar um trabalho solo. É algo que eu tento dizer com esse livro: Não importa se seu irmão é um rockstar ou é mais bem sucedido que você. Você sempre terá seu valor e não pode deixar que ninguém te coloque pra baixo.

Rock Noize: Ainda sobre o Brasil… Já que veio tantas vezes, já experimentou caipirinha, certo?
Mickey Leigh: Claro! Mas agora só quero cachaça. Adoro cachaça!

Depois de atender todos os fãs e com gravador desligado, Mickey conversou com os jornalistas que estavam fazendo a cobertura sobre política, se interessou bastante sobre a Era Vargas e a Ditadura Militar, e perguntou sobre filmes e livros sobre o assunto.

 

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Para quem perdeu, domingo tem Tributo aos Ramones, na Feira Hippie de Ipanema, às 17h. Clique aqui e confira todas as informações.

Apoio na entrevista: Amanda Julião.

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