SPTrip noite 1: Alter Bridge, The Cult e The Who fazem história em São Paulo

37205548062_ab3a0fb2ea_zFinalmente, chegou o GRANDE dia, a primeira noite do SPTRIP! Provavelmente já disse isso antes, mas essa foi a primeira vez que vi uma estrutura tão gigante e monstruosa quanto essa, tudo foi feito para ser espetacular: o palco; a pista; o merch; a oferta de bebidas e comidas… TUDO feito para crescer aos olhos e conquistar o público na primeira, das quatro noites, que prometem tornar o festival um dos acontecimentos mais mitológicos de São Paulo.

Impossível passar pela entrada e não se arrepiar olhando para todos os preparativos que antecipavam o início do evento que literalmente mobilizou gigantescas multidões para o Allianz Parque para acompanhar a primeira apresentação do The Who em terras brasileiras, em sua primeira turnê pela América do Sul, antes mesmo da apresentação no Rock In Rio.

Mas a noite ainda tinha em seu set de bandas o lendário The Cult e o supergrupo Alter Bridge. Sério amigo… tem como isso dar errado?! Óbvio que não! E posso te garantir, do primeiro ao último acorde da noite, tudo foi prazer, um prazer indescritível e que invadiam os ouvidos dos fãs de forma graciosa e brutal ao mesmo tempo.

36522386304_035995e640_z

Por volta das 18:15, com o céu ainda claro do pôr do sol, o Alter Bridge deu o ponta pé inicial dos trabalhos da primeira noite, e por sinal, um senhor ponta pé: forte e certeiro, com um som impecavelmente perfeito, Myles Kennedy se fazia ecoar pelo estádio de forma mágica e que me dá um arrepio na espinha, só de lembrar dos primeiros momentos do show, enquanto escrevo a resenha para vocês.

Como o show começou relativamente cedo, os fãs foram se acomodando durante todo o show da banda de abertura, encontrando seus assentos nas arquibancadas e qual o melhor ponto de vista na pista.

Super destaque para o comparsa de Myles, Mark Tremonti, que destilou uma enxurrada de solos tão pesados e técnicos que chegou a comover os fãs mais fervorosos do grupo, levando as lágrimas alguns marmanjos, além de esbanjar simpatia com o público brasileiro.

Se por um lado, alguns torciam o nariz para a banda que pode ser considerada relativamente nova, comparada as duas outras atrações que estariam por vir, Tremonti foi o líder de uma cruzada do quarteto contra o tempo, não perdoando os ouvidos de ninguém ao longo dos cronometrados 60 minutos de show.

36522388534_dfc64c224b_z

A próxima atração seriam os ingleses do The Cult, porém um pequeno detalhe, que talvez tenha sido ignorado por muitos ali, foi o grande “salvador” da noite: normalmente, em shows e festivais, o período entre uma banda e outra é preenchido com uma trilha sonora alta e que tornam a estadia próxima ao palco um verdadeiro desafio para qualquer um, mas no São Paulo Trip isso foi diferente, onde ao invés de uma playlist ensurdecedora, um sonzinho mesclando rock e jazz, em um volume extremamente agradável, embalou as conversas e as trocas de áudios pelo celular. Ponto positivíssimo!

Se o intervalo foi marcado pelo volume relativamente baixo dos amplificadores, quando as luzes do estádio de apagaram para anunciar a entrada de Ian Astbury e seu trupe no palco, fomos todos capturados por um som contagiante e poderoso que fazia com que os fracos não tivessem vez.

Uma chuva de hits começou a bombardear todos os presentes, levando os fãs mais “exaltados” a loucura (este que vos escreve se encaixa perfeitamente aqui), passeando por sua coleção de singles bem sucedidos como “Wild Flower”, “Peace Dog”, “Rain” e a histérica “Love Removal Machine”.

36978610130_ce3a96c8b0_z

Após a aula de Tremonti com o Alter Bridge, foi a vez do mestre Billy Duffy mostrar não apenas sua habilidade, mas seu estilo de deus da guitarra. Sem movimentos bruscos, Duffy me deixou de queixo caído e a muitos ali, por sua técnica única, responsável por funcionar como uma digital do The Cult, sendo possível identificar qual será a próxima apenas pelas primeiras palhetadas.

Apesar do show absolutamente destruidor por parte da banda, o público pareceu apático em certos momentos, deixando Astbury visivelmente irritado com o excesso de pessoas mexendo no celular durante o show conjurando o espírito selvagem dos brasileiros, em especial os paulistas, para levantar os ânimos.

Mas era a hora, hora de controlar os nervos, pois após o término da segunda apresentação, em questão de meia hora, os headliners da noite viriam para escrever a história nessa noite de quinta feira quente e inédita: era a vez do The Who subir ao palco!

37205553122_328f4bda6a_z (1)

21:30 em ponto e tudo escuro de novo, mas por pouco tempo, até que a gigante estrutura do palco brilhasse fazendo a noite virar dia e o telão do fundo anunciasse que “a porra era séria agora”.

Inevitavelmente, Roger Daltrey e Pete Townshend eram as duas figuras mais transmitidas pelo telão e tenho que confessar, os caras mandam MUITO! Pete em particular mostrou que para tocar guitarra com qualidade não precisa de grandes acessórios, roupas chamativas, fogos ou piruetas, com uma camisa branca e uma calça marrom, o “senhorzinho” arrepiou em solos e riffs lendários, fazendo parecer que tudo aquilo parecia só mais um passeio no parque num domingo à tarde.

Já Roger não precisava muito mais do que abrir a boca para comover as diferentes gerações que da mesma forma que esperavam ansiosamente pela próxima música, não queria que o tempo passasse, para congelar os preciosos segundos dessa apresentação épica de uma das maiores bandas de rock em São Paulo.

Outro ícone do grupo, Keith Moon, possuía um substituto que mostrou a que veio e o porquê de ser o atual baterista do The Who, Zak Starkey, destruiu tudo com maestria e leveza de quem sabe que está ali para fazer um espetáculo à parte, pela importância do cargo de baterista na banda.

Se os fãs queriam um show especial, foi exatamente isso que eles tiveram, ao longo de 22 músicas, cantaram e gritaram clássicos como “Who Are You”, “My Generation”, “Pinball Wizard”, “Baba O’Riley” e “Substitute”.

37205555172_a6c1b94b95_z

Eu poderia passar dias inteiros falando sobre o quão perfeito foi essa primeira noite do SPTRIP, mas você ainda tem mais 3 oportunidades de presenciar nossas histórias serem escritas, já que ainda temos o Bom Jovi, Def Leppard, Aerosmith, Alice Cooper e o gigante Guns N’ Roses, lembrando que nós da Rock Noize estaremos em todos os dias para levar o melhor para você!

QUE NOITE!

 

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Comentários