Suicidal Tendencies leva público de São Paulo aos anos 90

Suicidal Tendencies Cred Loos Photo - Rock NoizeA noite deste sábado, 28, é de 2017, mas poderia bem ser qualquer sábado à noite nos anos 90 em show só pra quem gostava de caos e tumulto, algo cada vez mais difícil nos shows de rock atuais. Tudo porquê o Suicidal Tendencies estava no palco.

A banda, que sempre foi respeitada por grupos e artistas de todos os subgêneros do rock e seus fãs fez uma apresentação digna do que foi e é toda sua carreira. Tudo com a abertura de um dos maiores, se não o maior, ícones do hardcore nacional, o Dead Fish.

Nas linhas abaixo a gente conta pra vocês como foram os shows que marcaram os 2 anos do projeto Honorsounds, que entre outras já trouxe nomes como Scot Stapp (Creed), Papa Roach, Iggor e Max Cavalera ao país e ao Tropical Burantã em São Paulo.

Dead Fish

Com pouco mais de 25 anos de carreira, vindo lá dos anos 90, de novo e como sempre o Dead Fish fez um show conciso e baseado justamente nestes 25 anos. A banda desfilou seus hits como Queda Livre, Zero e Um, A Urgência e músicas do bom “Vitória”, seu último disco, como Cara Violência e Salsalito.

De praxe e vindo bem a calhar, a banda deu um salve para a galera que fez as paralisações e manifestações na última sexta-feira, 27, em todo o Brasil, chamando a Rede Globo de golpista e saiu do ovacionada como público gritando “Fora Temer”. Tudo que um bom show de hardcore tem direito.

dead fish loos photo rock noize

O caos estava chegando

O Dead Fish enfrentou um Tropical Butantã ainda vazio, mas com muita gente chegando para ver o Suicidal Tendencies o público ainda chegava, aproveitava para pegar bebidas, conversar, ir aos merchs das bandas (comprei uma camiseta do Dead Fish, admito).

Enquanto isso outra coisa que se via muito nos shows mais antigos: a própria banda subiu ao palco para afinar seus instrumentos e organizar as coisas, nada parecido com as equipes imensas e as megas estruturas das apresentações atuais.

S.T., S.T., S.T.!!!!!!!

Era chegada a hora. Lá pelas 21h (pouco menos, pouco mais) e já com o Tropical bem mais cheio, o Suicidal Tendencies entoou os primeiros acordes da clássica You Can’t Bring Me Down. Foi o suficiente, os anos 90, o roots e o DIY estavam de volta.

Clap Like Ozzy foi a primeira de o trabalho mais recente dos caras a ser tocada e a terceira do show. Get Your Fight On! e Living For Life, que fechou o show, foram outras do de “World Gone Mad” executadas pela banda. A mescla dos clássicos com as músicas do novo disco foi bem bacana, nem tanto pra um nem tanto pra outro.

Vale destacar War Inside My Head, I Saw Your Mommy, Cyco Vision e Possessed To Skate. Esta última apoteótica quando o Suicidal chamou inúmeras meninas para um #GIRLPOWER em pleno palco. Ovação total da galera na pista e as meninas quebrando tudo lá em cima!

O Suicidal não é apenas Mike Muir

É claro que sempre o frontman/vocalista de uma banda é o mais notado e adorado pelos fãs, mas com o Suicidal Tendencies não é bem assim. Ainda que Mike Muir seja a figura central, em um show ele faz questão de deixar seus amigos brilharem.

Mike é a alma da parada toda, também pudera, fundador e membro mais antigo da atual formação do S.T., ele divide o protagonismo com os outros quatro caras. O excelente baixista Ra Diaz é um dos agraciados por isso. O pequeno manda vez no suingue com slaps infindáveis em seu baixo e nos backin’ vocals. Dean (mais antigo) e Jeff mostram o peso das guitarras revezando entre o metal e o hardcore.

A interação de um feliz Mike com seus companheiros no palco impressiona. Ele faz questão de que todos apareçam igualmente no palco.

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Dave Lombardo é um monstro sagrado

Dave Lombardo impressiona por duas coisas: a humildade e a técnica para tocar bateria. Na primeira delas vimos durante a coletiva de imprensa que rolou na última semana, já a segunda vimos no show do Suicidal Tendencies. Vindo do thrash metal do Slayer, do qual foi membro-fundador, Lombardo deu um peso impressionante e maior à bateria do Suicidal.

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Política

Há alguns anos o Brasil atravessa um momento político delicado. Manifestações, protestos, greves, tudo pacífico ou não e uma divisão impressionante nos transformaram em um povo intolerante e irascível, mas Mike Muir repetiu o discurso feito na coletiva.

Em dado momento da apresentação ele repetiu não gostar de política, que ela só fere os corações e bom, dá nisso aí que estamos vendo em nosso país. O que a gente espera é que um pouco desse recado de Mike paremos para pensar, no mínimo.

É isso

A mistura de uma das maiores bandas de hardcore nacional com um dos ícones do rock gringo, o atual momento do país e a necessidade quase visceral de termos um show caótico nos transportou direto para os anos 90. Nada de palcos mega-estruturados, pirotecnia da mais avançada e tantas outras coisas que muitas vezes chamam mais a atenção do que a música.

Gente subindo no palco, enormes moshpits, discurso verdadeiro e o tempero do melhor público do mundo. Isso é um show do Suicidal Tendencies, de rock. Agora é esperar pelo(s) próximo(s).

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Setlist Dead Fish

Afasia
Sobre A Violência
Shark Atrack
Linear
Self-Ego
Cara Violência
Zero E Um
Queda Livre
Autonomia
Armadilhas
Desencontros
Just Skate
A Urgência
Tão Iguais
Siga
Sonhos
Venceremos
Procrastinando
Sausalito
Asfalto
Molotov
Proprietários
Bem-Vindo
Sonho Médio

Setlist Suicidal Tendencies

You Can’t Bring Me Down
I Shot Reagan
Clap Like Ozzy
Freedumb
Trip At The Brain
Get Your Fight On!
War Inside My Head
Subliminal
Send Me Your Money
Possessed To Skate
I Saw Your Mommy
Cyco Vision
How Will I Laugh Tomorrow
Pledge Your Allegiance
Living For Life

Vocês podem conferir mais fotos exclusivas de Dead Fish entrando aqui e do Suicidal Tendencies neste link.

 

Foto: Nicollas Loos/Divulgação

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