Entrevista Exclusiva: The Outs fala sobre Lollapalooza Brasil, novo disco e muito mais

The OutsNo próximo fim de semana acontece mais uma edição do Lollapalooza Brasil. O festival acontece no sábado e no domingo em São Paulo, novamente no Autódromo de Interlagos e com uma gama de atrações para tudo enquanto é gosto.

Entre as internacionais estão Metallica, The xx, The Strokes e The Weeknd como os cabeças da parada toda. Já entre as nacionais uma delas vem se destacando no cenário nacional e atende pelo nome de The Outs.

Se vocês espertinhos acompanham o Rock Noize já devem conhecer os caras. Eles vão apresentar ao público do festival as músicas de “Percipere”, seu novo disco, e a gente aproveitou para bater um papo muito bacana com eles sobre tudo isso!

Confira nas linhas abaixo e não perca o show do The Outs no Lollapalooza Brasil 2017!

Rock Noize: Pra gente se conhecer, vamos lá: contem como surgiu a banda, como foi a formação e de onde vem o nome The Outs?

Dennis (The outs): A banda surgiu comigo e com o Tiago, que é meu primo, mais ou menos em 2006. Costumávamos tocar juntos desde pequenos em encontros familiares. Nossa família sempre foi muito ligada com música. Nesses encontros acabamos criando uma sintonia musical que era difícil de desenvolver com outras pessoas, principalmente na forma como aprendemos a encaixar nossas vozes (uma coisa que hoje vejo que realmente herdamos de família). Daí a brincadeira passou a ser gravar vídeos de músicas que curtíamos para postar no YouTube, que estava bem no começo na época. Exatamente pela dificuldade de achar pessoas que tinham influências parecidas ou que se interessavam pelo tipo de som que a gente curtia, começamos a nos chamar de “The Outs”, como uma brincadeira por nos sentirmos meio deslocados musicalmente.
Começamos a desenvolver uma necessidade pessoal de compor nossas próprias músicas a partir de 2009, depois do lance com o Oasis. Mas foi em 2012, com a entrada do Vinícius e do Gabriel que desenvolvemos melhor todo o conceito da banda, pensamos qual direção seria legal de seguir juntando nossas influências, aprendendo a gravar e chegar num som mais próximo do que procurávamos.

Rock Noize: Contem agora para os leitores como foram as gravações de “Percipere” (que saiu pela Deck). Como foi o processo de composição, as gravações e tudo mais?

Dennis (The outs): O “Percipere” é um disco que foi se desenvolvendo durante um período entre o início de 2015 até quase metade de 2016. Nossa participação no reality da Sony (Breakout Brasil) no final de 2014 fez a gente refletir bastante sobre formas de trazermos nosso som para o português. Não porque existisse uma pressão para isso, mas por uma busca pessoal nossa mesmo. Curtimos muito a experiência que tivemos dentro do reality, e eu e o Vinícius começamos a compor várias melodias que poderiam ficar interessantes na língua. Foi um processo de composição mais demorado que em inglês principalmente pela busca de algo que fosse novo de alguma forma para nós, e também em pensar como a gente queria que aquilo soasse.
As gravações foram feitas no home studio do Gabriel, de forma aleatória dentro desse período. A gente fazia, pensava, ouvia, refazia, … Foi uma pesquisa intensa até acharmos um norte, principalmente porque estávamos produzindo tudo aquilo sozinhos. Em algum momento a notícia de que estávamos trabalhando em canções em português foi parar no ouvido do Rafael Ramos, e ele ficou super curioso para ouvir o que estava rolando. Nesse momento já tínhamos 7 músicas do disco praticamente prontas, então acabou não tendo muito sentido na Deck se envolver de alguma forma na produção, mas curtiram muito o que ouviram e pilharam de trabalharem com a gente no lançamento do disco.

Rock Noize: Como vocês pensaram e chegaram nessa mistura de rock, pop, psicodelia e que sons dos anos 70 (e outras influências) fazem a cabeça dos membros do The Outs?

Dennis (The outs): Na real eu já curtia muito esses tipos de sons desde criança. O primeiro show da minha vida foi Elton John em 95 (eu tinha 4 anos mas me lembro de TUDO rsrs)! Acho que a nossa sorte foi de encontrar outros membros com uma mesma sintonia de referências.
Uma banda que começou a fazer muito minha cabeça na linha mais psicodélica na adolescência foi o The Verve, principalmente nos primeiros discos. Sempre que eu ouvia aquilo, curtia demais as camadas e como o som ia fluindo de uma forma empolgante de se ouvir, sem deixar as harmonias espertas de lado.
A partir de um momento comecei a pesquisar mais e mais sons, para além do óbvio que todo fã de rock setentista é meio que obrigado a conhecer. Cheguei em coisas surpreendentes como Pretty Things, Nazz, Todd Rundgren, The Band, discos solos do Paul McCartney, …

O português acabou ampliando mais esse leque de misturas de influências. Ter trabalhado nesse disco nos deixou mais à vontade para explorar melhor tudo o que a gente curtia e tinha vontade de fazer. Além das influências que já tínhamos, e de pesquisar muitos sons novos também, passamos a conhecer mais profundamente a nossa música brasileira. Foi assim que conhecemos algumas pérolas como o Som Imaginário e Sá, Rodrix e Guarabyra, além de aprofundar bem mais em vários artistas e bandas como Tim Maia, Alceu Valença, Secos & Molhados, Clube da Esquina…

Hoje muito som novo também tem feito a nossa cabeça. Curtimos muito a onda dos novos talentos australianos do Pond e Tame Impala, uma banda pouco conhecida (mas muuuito foda) chamada Brightblack Morning Light, Jim White, Junip, BADBADNOTGOOD, Mild High Club, Fleet Foxes, My Morning Jacket, Temples, Moodoid, Mac DeMarco, Tagore, Renata Rosa, Boogarins, The Baggios… (ficaria horas escrevendo essa lista… hahaha)

Rock Noize: A gente sabe que a cena underground no Brasil sempre está em ebulição, com novas bandas e artistas surgindo. Como é no Rio de Janeiro? Falem pra galera de outros estados como funciona por aí?

Dennis (The Outs): Olha, tem muita banda boa surgindo por todo Brasil, e no Rio não é diferente. Tem muita gente colocando a cara à tapa e tentando fazer acontecer, mas realmente nossa cidade anda bem complicada por “n” motivos…
A meu ver, o maior problema do Rio é que estamos muito atrás no sentido de organização coletiva de uma cena se comparado com cidades como São Paulo, Goiânia, Recife, etc. Esse problema é principalmente um reflexo do pouco incentivo que a cultura vem recebendo cada vez mais na nossa cidade. Nem grandes festivais de circuito independente como referência nós temos!
Tem sido muito difícil buscar lugares legais e diferentes para tocar, que ofereçam uma estrutura de som com um mínimo de qualidade, trabalhar numa formação de público que esteja em sintonia com o corre independente, … A troca com outras bandas de outras cidades é sempre muito difícil também por isso. São pouquíssimas casas que apoiam e têm um projeto para a música autoral.
Eu também acho que tem muito a ver com a própria cultura da cidade, mais voltada para pegada do entretenimento, da “entrada vip”, do lugar com a cerveja mais barata. A qualidade das bandas existe e ainda pode se desenvolver muito mais, mas ainda precisamos achar formas de resolver essas outras questões para isso se refletir cada vez mais na música e na cena local.

Rock Noize: Vocês podem destacar algumas bandas underground do Rio pra gente conhecer e ouvir?

The Outs: O Rio está cheio de boas bandas nesse cenário underground, e não apenas dentro da própria capital, como é o caso da Hell Oh! (Nova Friburgo), Facção Caipira (Niterói) e a Hover (Petrópolis). Da galera que tem feito uma movimentação legal e que curto tem a Fleeting Circus, Ventre, Canto Cego, Luiz Lopez, Two Places At Once, Atom Pop, The Highjack, Café República, Beach Combers, Chapa Mamba, …

Rock Noize: Agora vamos falar de Lollapalooza. Como foi feito o convite para vocês tocarem no festival? Qual foi a reação de vocês?

The Outs: Na verdade, conseguimos “construir” esse convite desde o momento que começamos a trabalhar no último álbum, o “Percipere”. O fato de estarmos trabalhando em músicas em português chamou a atenção do pessoal da Deck, que curtiram muito o trabalho e acabaram soltando o disco. Eles achavam que tínhamos a cara do Lollapalooza, e sugeriram a banda. O pessoal do festival se amarrou, e assim surgiu o convite!
A gente sempre procura não criar muita expectativas com as coisas, pra não criar frustrações depois. Geralmente somos assim porque muitas vezes as coisas não funcionam como a gente quer, então é legal manter o controle. Mas quando a coisa dá certo, a felicidade é em dobro! Foi assim com o Lolla, quando recebemos o convite acho que ninguém levou muita fé no início, até a ficha começar a cair! Rsrs

Rock Noize: O que vocês vão apresentar para o público? Alguma surpresa que vocês podem adiantar aqui e que ainda não falaram sobre?

The Outs: O show vai ter quase uma hora de duração, e vamos ter tempo de passar por músicas de todas as fases da banda. Isso vai ser demais, porque para nós, chegar nesse festival é parecido com a sensação de se formar na faculdade. Sabemos que estamos lá por um mérito próprio, por ter suado bastante a camisa e acreditado. Nada mais legal do que fazer um “apanhado geral” desse tempo.
O que posso adiantar é que o Marcelo Gross (Cachorro Grande) vai fazer uma participação especial, vamos fazer uma brincadeira por lá, quase que para comemorar o acontecimento. Quando comecei a me interessar por ter uma banda autoral, a Cachorro Grande era uma das principais referências que eu tinha, via vários docs deles rs… É muito louco ter chegado em um ponto que posso chamar um cara como o Gross para tocar com a gente num palco como o do Lolla. Todos os motivos para ser muito especial.

Rock Noize: Como foi a participação no Breakout Brasil (reality show da Sony onde a banda participou em 2014) e de lá para cá o que mudou com a participação no reality?

The Outs: Participar do programa foi muito legal, uma baita experiência, muito intensa. Aprendemos muitas coisas lá dentro, a lidar melhor com a organização e a coisa do “showbizz”, entender melhor qual era o nosso lugar nisso tudo. Também deu o estalo para o que viriam a ser as composições em português, que sem dúvidas abriram portas para nós de lá para cá. Também fizemos grandes amigos, conhecemos muitas pessoas que abraçaram a banda e nos deram mais uma motivação para manter acreditando.
O legal é que hoje a gente tem uma noção melhor de onde pretendemos chegar, das barreiras que existem e tudo mais. As coisas ficam melhores quando a gente sabe aonde pisa.

Rock Noize: Vocês já participaram de reality show, gravaram disco e vão tocar em um festival de renome mundial. Quais dicas vocês dão para quem está começando e almeja a mesma projeção que o The Outs conseguiu?

The Outs: A melhor dica que posso dar é não desistir e fazer por onde pra merecer algum espaço. Sempre estar em busca de desenvolver mais o próprio som, ter uma boa autocrítica do que está fazendo. Todos sempre têm o que melhorar. Quando não se tem “quem indique” as coisas ficam mais difíceis sim, mas é possível ir conquistando seu lugar aos poucos, tendo uma clareza legal de onde se almeja chegar. Ser realista e ao mesmo tempo acreditar. O maior problema nesse tempo é conseguir manter a cabeça erguida e o foco sem desabar, buscando sempre a própria motivação.

Rock Noize: O underground pode se tornar mainstream sem perder a essência? Como vocês veem isso?

The Outs: Eu acho que cada vez mais o underground tem se cruzado com o mainstream. O último disco da Beyoncé é um ótimo exemplo disso, só que ao contrário. Uma obra prima! Mainstream, mas autêntico e sem muitas amarras como os sons mais undergrounds.
O inverso também tem acontecido, como é o caso do Tame Impala ou do Unknown Mortal Orchestra. É difícil definir ainda até onde uma banda tem que “se vender” para atingir um ponto mainstream, mas a possibilidade de se equilibrar os dois meios pode dar frutos realmente bons para o futuro.
Acho que tem rolado uma tendência em se achar um equilíbrio entre os dois meios pra chegar em um ponto que realmente seja positivo para a música como um todo. Esse ponto de equilíbrio que é a parte mais difícil. Vai ter hora que vamos achar lindo e outras que vamos achar péssimo, mas vejo como um processo natural essa busca. O ótimo é que temos tido boas referências de artistas que estão experimentando de uma forma legal. O Nirvana é mainstream, ne? Rs…

Rock Noize: The Outs, muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte no Lolla, nos vemos lá! Agora deixem um recado para seus fãs e para os leitores do Rock Noize!

The Outs: Muito obrigado, pessoal! Esperamos fazer um show realmente bonito no sábado, e contamos com todos que estiverem por lá para nos prestigiar! Tocamos dia 25 às 13h10 no palco Onyx! Até lá!

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Foto: Divulgação/Internet

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