Titãs em São Paulo: o rock não morreu! Não vá dizer que eu não avisei você

Poderia ser mais um dia normal, mas não foi. Foi tudo junto e de uma vez: sexta-feira 13, Dia Mundial do Rock, aniversário de 6 anos deste site e show de uma das maiores bandas de rock do Brasil, o Titãs. Separadamente já seria um dia marcante, tudo junto então.

É isso aí, nesta sexta-feira, 13 de julho de 2018 muita gente tinha inúmeros motivos para comemorar. Seja você supersticioso, seja roqueiro, seja leitor do Rock Noize ou então fã do Titãs. Bom, eu como eu sou tudo isso, já sabe, né?

Mas vamos mesmo ao que interessa, o show! Mas antes mais uma observação: entra ano, sai ano, vem os especialistas de redes sociais dizendo que o rock está morrendo, está morto ou já morreu faz tempo. Um aviso: está bem longe disso, como provavelmente essas pessoas estão dele, o rock.

Acredito que o mais importante aqui não seja exatamente falar sobre o show em si, ainda que darei meus pitacos, mas do que essa junção toda de datas e acontecimentos tem a ver com a “morte” do gênero musical mais importante da história.

De novo, entra ano, sai ano, surgem boas bandas de rock no Brasil, seja nos grandes centros, seja nos pequenos. Infelizmente elas e os shows e festivais – principalmente os independentes -, lutam para sobreviver, mas isso está longe de cravar que o rock está morto.

Você que crava tal afirmação talvez esteja procurando no lugar errado. Basta uma ida ao Spotify e clicar em “Relacionados” para descobrir um monte de coisa, aqui e lá, na gringa. Outra prova de que o rock está longe dos últimos dias foi o show do Titãs e agora sim, vamos falar dele.

Talvez você não fosse nem nascido quando o grupo chutou bundas com “Cabeça de Dinossauro”, um trabalho antológico e que certamente está entre os 10 maiores álbuns de rock de todos os tempos no Brasil. Lá se vão mais de 30 anos.

“Titãs vai continuar sendo influência para muitas bandas de rock”

Pessoalmente estou de saco cheio de bandas que não tem nem metade dessa idade e já se colocam como estrelas de quinta grandeza com pausas, hiatos e seus shows de reunião intermináveis que depois da primeira vez soam mais como caça-niqueis onde os fãs caem como pão com manteiga estatelado no chão.

Nisso o Titãs tem um mérito incrível. São 34 anos desde o primeiro disco, inúmeras formações e se existe uma grande qualidade em tudo isso é saber se reinventar em meio às adversidades do tempo e das muitas cabeças pensantes no grupo.

O que se viu nesta sexta-feira 13 no Tom Brasil em São Paulo foi que o Titãs é, assim como as bandas independentes e devidas proporções, um sobrevivente. Pouco depois das 22h Tony Bellotto e Sérgio Britto, remanescentes da formação clássica, subiram ao palco acompanhados dos excelentes Beto Lee (guitarra), Mario Fabre (bateria) e Lee Marcucci (baixo), este substituindo Branco Mello.

O quinteto, renovado e com todo o gás, entoou seus clássicos e também músicas de “Doze Flores Amarelas”, opera-rock composta por 25 faixas inéditas e que será lançada neste segundo semestre. Ter uma carreira tão vasta proporciona idas e vindas em uma discografia recheada de hits como Sonífera Ilha e Isso e o flerte com músicas novas, além de se dar ao luxo de mandar ver em um dos hinos do rock nacional: Pro Dia Nascer Feliz do Barão Vermelho.

Dá pra dizer que o Titãs vai continuar sendo influência para muitas bandas de rock, porque assim como o rock, suas músicas são atemporais. O rock está muito bem, obrigado. E depois, não vá dizer que eu não avisei você…

 

Foto: Silmara Ciuffa/Divulgação

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