Trilha sonora da série Rua Augusta é como a rua: intensa, sexy e exuberante

A Rua Augusta talvez seja a rua mais conhecida quando o assunto é boemia, procrastinação e “curtir as coisas boas da vida” de São Paulo. Sua mística atravessa as fronteiras dos estados brasileiros e porquê não do país. Afinal, lá é possível ouvir muitos outros idiomas que o português.

Desde seus tempos áureos de rua descolada dos anos 60 como retratado curta-documentário Essa Rua Tão Augusta de Carlos Reichenbach até a decadência posterior quando ficou conhecida como a rua dos puteiros e profissionais da noite chegando ao status de cool e alternativa nos tempos mais modernos cheias de baladas para todos os gostos individuais a estilos musicais.

Rua que já foi tema de inúmeras reportagens, de música do Emicida e de icônicos personagens como o Fofão, falecido recentemente. O fato é que hoje a Augusta luta para sobreviver em meio aos arranha-céus e prédios comerciais que estão se instalando no lado central.

É bem verdade que ainda restam sobreviventes que se recusam a deixar a nossa amada Augusta como o mítico Casarão e nosso querido Clube Outs, dois símbolos da resistência do que outrora foi o Baixo Augusta. É nessa pegada que chega a série Rua Augusta.

A história de Rua Augusta acompanha Mika (Fiorella Matheis), uma stripper que guarda um passado sombrio. Ela ganha a vida trabalhando na Boate Love e se divertindo na balada Hell – uma clara referência à clássica Inferno que infelizmente foi vítima de uma geração efêmera virtual e fechou suas portas.

A série vai ao ar na TNT nas quintas-feiras às 22h30. A direção é de Pedro Morelli e Fábio Mendonça, em uma co-produção com a 02 Filmes. O elenco ainda conta com nomes como Milhem Cortaz, Jonathan Haagensen e Chris Couto.

A trilha sonora, objeto real desta resenha, é um primor para os ouvidos e nela você passeia basicamente pela fase “mais complicada” da Rua Augusta, ao mesmo tempo a mais gostosa, sexy, assustadora e intensa que só quem viveu isso têm histórias pra contar.

“A trilha de Rua Augusta é pra se ouvir por inteiro, subindo e descendo –  como? fica por conta da sua imaginação”

A trilha foi composta magistralmente pelos produtores Lucas Marcier e Fabiano Krieger que não se limitaram apenas às faixas instrumentais, mas sim souberam retratar para os nossos ouvidos tudo que a Augusta representou e em seus suspiros derradeiros, ainda representa para quem vai lá.

As batidas eletrônicas de Strip com um quê sensual das melhores músicas do Nine Inch Nails, já dá o tom do que vem a ser a tilha sonora. E sim, o título da música nos leva direto para um strip em um dos tantos inferninhos da Rua Augusta, com luzes roxas, vermelhas e azuis.

Emotional Hangover e R U Ready é um deleite para os amantes do rock industrial mostrando o teor caótico que poderia se instaurar na rua com carros de polícia descendo e subindo. A segunda lembra muito os tempos áureos de androgenia de Marilyn Manson, que facilmente passaria despercebido por lá.

Come On Rock Me parece mais contemporânea de quem buscava um rolê alternativo nos últimos anos e que tinha, muito mais por curiosidade, que passar pela Augusta uma vez na vida pra “sentir o clima”. Assim como a moderna A Million Pieces.

A trilha sonora de Rua Augusta é como poucas: pra se ouvir por inteiro, subindo e descendo – Como? Fica por conta da sua imaginação. Ela é intensa, sexy, gostosa, exuberante, boa, má e cheia de segundas intenções com quem ouve.

O que espero da série e sua trilha? Que elas ajudem a devolver a Augusta para de quem de fato ela pertence: eu, você e quem mais a desejar. Antigos, modernos, personas em busca de um boteco, de uma balada, de sexo, de drogas, de rock and roll, de outros sons.

Nota mental: quanta saudade de ir ao Z Carniceria, pedir um balde promocional de Heineken, beber e rumar para o Vegas, Inferno ou Outs para sair de lá com o dia raiando e ver a Augusta já de ressaca da noite anterior.

Puteiros, bares, pubs, baladas, prédios comerciais, residenciais, padarias, lojas, mercados, faculdades. Que tudo isso se misture ao som da trilha sonora de Rua Augusta. Porque a Augusta sempre foi e é assim, democrática, sem preconceitos e de todos.

 

 

Fotos: Divulgação/TNT

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