Um disco duplo para double mistakes

Minha lua é em gêmeos.

Sei que muita gente aqui don’t give a fuck pra astrologia, mas desde que falaram que isso influencia o fato de eu ser faladeira, curiosa e não sossegar o facho, acredito que faça lá o seu sentido. Também dizem que tem um lance de ser ~duas caras~ mas acho que comigo tem mais a ver com fazer piada com desgraça.

Ou pelo menos algo de interessante baseado nisso.

Então a coluna dessa semana será um disco duplo porque a rainha aqui conseguiu cometer o mesmo erro, cada um com seu lado A e B que, ao serem colocados na agulha, machucaram do mesmo jeito.

Engana-se quem acha que um disco duplo é só um apanhado de músicas que não coube em um só. Um disco duplo, duplo de verdade, são como gêmeos (bivitelinos, claro), que foram concebidos de uma forma especial e única.

Pelo menos o que eu escolhi. Por motivos que não caberiam em 3 meses de coluna, mas escolhi.

Mas sejamos menos emocionais aqui.

Exile on the Main St.” é o décimo álbum de estúdio dos Rolling Stones. Se bem que falar estúdio é algo bem relativo neste caso. A banda se enfiou numa vila/mansão no sul da França, Nellcôte, que é roteiro turístico para os mais entusiastas da banda (não vou nem falar qual é o nome do wi-fi daqui de casa).

Apesar do erro aqui, este é o único álbum duplo de inéditas da banda. Além das influências de rock e blues de sempre, o disco também conta com elementos de country, gospel e soul, a típica bangunça de quem acaba tomando decisões erradas e se enfiando em merdas como eu, mas no caso deles deu muito do certo, e de cara foi amado pelo público e hoje é considerado por muitos o melhor trabalho da banda, e como um dos melhores de todos os tempos pela ~crítica especializada~.

Mas a história do disco também não é tão nobre assim. Em 71 as lindas estavam todas fodidas e devendo até as calças, e se picaram da Inglaterra antes que o governo começasse a se apropriar dos bens da banda. Então o lance de exílio é fato real mesmo.

Aí a banda fez do porão de Nellcôte (que era uma nojeira) um estúdio onde eles ~trabalhavam~ madrugadas a fio, e da superfície uma quizumba louca (não preciso discorrer aqui como roquestars se divertem).

No final de contas o álbum (que demorou de 1968 a 1972 pra ficar pronto) tinha tudo pra ser uma desgraça. Ao contrário de mim que consigo errar com cobertura extra, em tempo recorde, e simultaneamente (aí sim, igual ao lançamento do par de discos).

Sobre as músicas, vocês que ouçam o disco, que eu tenho mais o que fazer do que ficar aqui falando do óbvio (um disco que começa com Rocks Off, tem Tumbling Dice, Sweet Virginia, RIP THIS JOINT, Turd On the Run, e SHINE A FUCKING LIGHT não precisa ser discutido).

O ponto aqui é que um erro pode ser cometido duas vezes. Mas pelo menos ainda temos discos como este para para acompanhar a dose dupla de vodka.

Para ouvir esse álbum tão fodido como sua situação é só clicar aqui.

 

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