Uma noite ao som de Morrissey em São Paulo

As noites de sábados em São Paulo já vêm sendo caracterizadas por inúmeros shows, de todos os tipos e para todos os gostos.

Mas na noite de 21 de novembro de 2015, passou por aqui um dos grandes nomes do rock mundial: Morrissey. Ele já tinha se apresentado na cidade dias antes, em uma apresentação no Teatro Renault.

Mas Morrissey não é para qualquer um. É um show para fãs, para pessoas que viveram seu auge no The Smiths e de sua carreira solo, diga-se, muito bem trabalhada.

Ao chegar no Citibank Hall já era possível notar que, também, Morrissey e o som oitentista se passa de pais para filhos.

Um misto de pessoas mais velhas, que dançavam ao som de Moz há décadas atrás e jovens – uns até bem jovens -, que claramente estavam ali sabendo da importância do momento.

Ao passo que muita gente ainda chegava ao local com muitos minutos de atraso, algumas pessoas já estavam deixando o Citibank Hall rumo a qualquer outro lugar, estas que acredito eu, nem sabiam o que estavam fazendo ali, afinal, ainda que Morrissey não seja lá seu artista favorito, o momento era importante.

Isso é uma das críticas ferrenhas que faço sobre os shows no Brasil – o que também deve acontecer lá fora -, mas isso é papo para outra hora.

Bom, mas vamos falar do show. Antes vídeos eram passados para animar a plateia, foram clipes, como Ramones – ovacionado, diga-se de passagem -, e discursos políticos, contra o racismo, entre outras coisas.

Foto: Wesley Carlos (Rock Noize)
Foto: Wesley Carlos (Rock Noize)

Legal, mas ok. Em dado momento já era possível ver as pessoas cansadas deles. Quando as luzes se apagaram a animação foi geral, porém mais um vídeo subiu no telão. A recepção não foi boa.

O show estava programado para começar às 22h, mas atrasou cerca de meia hora, o que valeu a espera, visto que Moz já entrou de cabeça com Suedehead e o público respondeu bem em “I’m so sorry”.

Depois de cancelar diversos shows pelo mundo durante os últimos anos por conta de uma doença (câncer de esôfago), era justo que Morrissey apresentasse um show digno. E foi o que ele fez, o que deixou o momento ainda mais especial.

Moz passeou pelo som do The Smiths, com músicas como Meat Is Murder  e The Queen Is Dead, o que me faz pensar a importância da banda para quem estava ali, mas deixou muitos hits icônicos de fora. Nada que o público questionasse, claro.

Em Meat Is Murder o momento “mais forte do show”. Durante a execução da música o telão do palco mostrava cenas de animais sendo abatidos, mortos, para se transformar em comida para os seres humanos. Ao final a mensagem: “Qual a desculpa agora? Carne é assassinato.”

Músicas do seu disco mais recente também aparecem no setlist, como Instanbul, Kiss Me A Lot e a faixa-título.

Todo mundo sabe como Moz é veemente em sua postura, seja política, seja de vida pessoal, mas em cima do palco ele faz uma mistura para poucos, consegue ir do cunho politizado ao sentimentalismo puro em minutos e ninguém parece sentir a diferença – no bom sentido, claro.

Como eu disse no início do texto, Morrissey é para poucos. O som menos pesado dos anos 80 deixou uma marca incrível para a música, influenciando gerações que vão do rock mais pesado ao pop mais comercial, mas ao que parece, principalmente para o segundo estilo, é que quem gosta deste parece não conhecer suas raízes.

Fato é que ontem, uma geração oitentista estava vidrada, era possível ver as pessoas que enfrentavam as filas para cerveja e por aí vai, mesmo durante o show, cantando as músicas de cabo a rabo.

Confira o setlist completo do show clicando aqui e as fotos exclusivas do show você pode ver neste link.

Fotos: Wesley Carlos (Rock Noize)

 

 

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