Yeah Yeah Yeahs pra quem está full of shit

Ok, a gente já falou de Karen O por aqui, mas é diferente. Absolutamente. Inacreditavelmente diferente. Pra falar a verdade é o outro lado da moeda.

Eu explico.

Primeiramente peço perdão pela minha ausência na semana passada (mal aí, editor), o que tem diretamente a ver com a escolha do álbum. A questão é que estou na merda. Estava. Estou. Não faz a diferença, até porque todo mundo aqui também está, mas não vou me aprofundar nisso.

Mas enfim, ao passo que por um lado não estava sendo fácil, minha agenda estava lotada. Era discotecagem maratona pro primeiro festival do selo Dinamite Records, era texto para ser publicada em uma revista foda, era show com o ex-guitarrista do Bob Marley tocando, era festival com show dos Strypes com o do ex-guitarrista dos Smiths, era dia inteiro de gravação do Debbie Records na Brasil 2000, era pré-estreia do documentário Sem Dentes: Banguela Records e a turma de 94, enfim. Era humanamente impossível parar para escrever essa coluna. E também não dava tempo pra ficar chafurdando na lama, porque colisença, tinha cílios postiços pra colocar e coisas mais interessantes pra fazer e prestar atenção.

Foi então que lembrei do genial álbum de estreia dos Yeah Yeah Yeahs que -de tão genial- ao procurar o vinil por aí só se encontra na faixa de $200 a $500 fora da realidade dólares. Então se a gente estiver tretado, ou alguém quiser me comprar, pode começar por aí.

O disco foi lançado em 2003, aquela época maravilhosa que você deixava um grampo cair no chão e aparecia uma banda como os Strokes, tropeçava na calçada e ops, Arctic Monkeys, atravessava fora da faixa e, olha só, já ouviu falar dessa banda nova, os Yeah Yeah Yeahs?

A vida já foi bem mais fácil.

Mas voltando ao inacreditável disco de estreia da incrível banda da safra de bandas incríveis que surgiram no começo dos anos 2000, e a molecada ~de hoje~ só conhece as fases atuais e acham que manjam alguma porcaria (tô amarga). Levanta a mão quem conhece só de Zero pra frente.

Sabia.

Não que não seja ótimo, mas gente, pfvr.

Vai, o álbum. Que foi indicado ao Grammy. Com uma track vencedora de melhor direção no MTV Movie Awards. Que entrou em todas aquelas listas de todas aquelas revistas em algum número alto do raking de melhores de todos os tempos. Ah, sim, e vendeu mais de um milhão de cópias ao redor do mundo. E olha que já eram Napster e Soulseek times.

Então talvez, apenas talvez, este seja um disco de estreia que valha a pena ouvir bastante, de uma banda que continua kicking ass até hoje. E não me façam falar da carreira solo da hipnotizante Karen O.

O “Fever to Tell” serviu de inspiração para trilha sonora perfeita para quem -apesar de estar full of shit- está (ou poderia estar, vai ver você tá aí fechado em casa porque quer) num corre interessante e divertido demais pra ficar com a cabeça marinando nas porcaria da vida.

Claro que no meio de tudo isso tem a maldita música Maps em que a gente entra no banheiro com o coração meio apertado, dá aquela olhada que não devia no whatsapp, e talvez por um instante, uma lágrima venha `a tona. Mas logo em seguida, antes que o pior aconteça, já vem Y Control, pra gente engolir o choro, retocar o batom, bagunçar o cabelo e voltar correndo pra pista.

Sério, porque se até partida de futebol tem intervalo, a gente pode tirar 37minutos e 33 segundos pra fazer da vida uma festa.

(Só não esquece que uma hora amanhece, e você tem que voltar pra casa. Com os saltos na mão. Num táxi bandeira 2).

Pra tirar férias dos problemas na pista com os Yeah Yeah Yeahs, é só clicar aqui.

 

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Foto: Divulgação/Internet

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