Uma empresa familiar é a forma mais comum de negócio no Brasil. A vantagem é a confiança entre os membros.

A desvantagem é a confusão entre o que é da família e o que é da empresa. A profissionalização é o caminho para o crescimento. Neste artigo, você aprenderá a profissionalizar sem perder os valores familiares. Acompanhe!

Confira 9 dicas para profissionalizar a empresa familiar sem perder a essência

1. Separe o dinheiro da família do dinheiro da empresa

O caixa da empresa não é a conta pessoal do sócio. Misturar as coisas é o erro mais grave.

Na empresa familiar, a conta bancária da empresa é diferente da sua conta pessoal. O salário do sócio é fixo e registrado em folha (pró-labore). A retirada de lucros é trimestral, não semanal.

A profissionalização de uma empresa familiar passa pela criação de canais formais de comunicação, tanto internos quanto externos.

Implantar um sistema de ouvidoria, por exemplo, mostra ao mercado que a empresa trata reclamações e sugestões com método, e não apenas pela boa vontade do dono ou de algum familiar à frente do atendimento.

O filho que trabalha na empresa recebe salário como qualquer funcionário. O presente de Natal é do lucro, não do caixa.

2. Defina cargos e funções por competência (não por parentesco)

O sobrinho é formado em administração, mas não sabe vender. Ele não pode ser gerente de vendas.

Na empresa familiar, a matriz de responsabilidades deve ser clara. O familiar incompetente em uma área deve ser movido para outra onde ele possa contribuir. A reunião de diretoria não pode ser um jantar de domingo.

O parente que não quer trabalhar não deve ser sócio. Ele pode ser acionista (ter ações), mas não funcionário.

3. Contrate profissionais não-familiares para cargos-chave

O diretor financeiro não precisa ser da família. O gestor de pessoas também não.

Na empresa familiar, a contratação de um CEO externo (profissional com experiência em outras empresas) traz disciplina e impessoalidade. O conselho de administração pode ter membros externos.

O profissional externo não tem as dores da família. Ele enxerga o que o parente emocionado não vê.

4. Crie um conselho de família (não confundir com diretoria)

O conselho de família trata dos assuntos da família: quem pode trabalhar na empresa, como é a sucessão, qual a política de distribuição de lucros.

Na empresa familiar, a reunião do conselho de família é separada da reunião da diretoria. O conselho de família não decide negócios; decide regras familiares.

O protocolo familiar é um documento escrito que define: entrada de cônjuges, saída de herdeiros não interessados, política de casamento (prenupcial).

5. Sucessão planejada (não no leito de morte)

O fundador morre e a briga entre os herdeiros mata a empresa.

Na empresa familiar, o plano de sucessão deve ser definido enquanto o fundador está vivo e lúcido. O sucessor deve ser treinado por 2 a 5 anos. O plano deve ser escrito e registrado em cartório.

A transição gradual (o fundador vira conselheiro por 2 anos) é melhor que a mudança abrupta (um dia ele mandava; no outro, não).

6. Política de namoro, casamento e divórcio

O filho se casa, o cônjuge entra na empresa. O divórcio vem, o cônjuge quer a metade das ações.

Na empresa familiar, o acordo de acionistas deve prever o direito de preferência (a empresa tem preferência para comprar as ações do cônjuge divorciado). O cônjuge que entra na empresa precisa ser aprovado pelo conselho.

O pacto antenupcial com separação de bens é o mais adequado para herdeiros de empresa familiar.

7. Avaliação de desempenho para todos (inclusive parentes)

O filho não pode ser avaliado pela mãe. A avaliação deve ser feita por um gestor externo.

Na empresa familiar, o familiar incompetente deve ser demovido ou demitido (com justa causa se for o caso). O familiar que não aceita avaliação não pode ser promovido.

O bônus por desempenho (produtividade) deve ser igual para familiar e não-familiar.

8. Profissionalize o atendimento ao cliente

A família trata o cliente com carinho, mas sem método. O pedido se perde.

Na empresa familiar, o sistema de CRM (gestão de relacionamento com o cliente) e de ouvidoria registra reclamações e sugestões. O atendente segue um script.

O cliente não quer saber se quem atendeu é o dono. Ele quer solução rápida.

9. Valorize os funcionários não-familiares

O funcionário não-familiar não pode ser tratado como “empregado”. Ele é parceiro.

Na empresa familiar, a política de portas abertas, o plano de carreira e a participação nos lucros (PLR) são essenciais. O funcionário que vira sócio (stock option) se dedica mais.

O afastamento entre a família e os funcionários leva à queda de produtividade. A proximidade saudável constrói cultura forte.

Com essas nove dicas, sua empresa familiar se profissionalizará sem perder o que tem de melhor: a confiança, o compromisso e a história. O profissionalismo não é inimigo da essência; é o que permite que ela dure. Até a próxima!

Créditos da imagem: https://www.pexels.com/pt-br/foto/36765731/


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